Nossa total solidariedade à classe operária da Turquia

O descaso de um governo direitista e do patronato com normas elementares de segurança provocaram uma tragédia na Turquia, onde a explosão de uma mina explorada pela empresa turca Soma Holding na terça-feira (13), causou centenas de vítimas. Até esta sexta (16) foram confirmadas as mortes de 284 operários.

O fato, ocorrido na cidade de Soma, no oeste do país, despertou profunda indignação popular. As centrais sindicais do país reagiram comandando na quinta (15) uma greve geral em solidariedade aos trabalhadores e contra o governo conservador liderado por Recep Tayyip Erdogan.

O primeiro-ministro contribuiu para o acirramento dos ânimos ao declarar que este “tipo de acidente ocorre a todo o momento”, como se fosse um fenômeno natural e inevitável, não cabendo qualquer responsabilidade ao governo e ao empresariado. Autoritário, ele mandou reprimir com violência as manifestações de protesto que picotaram em todo o país, com os participantes gritando “não é acidente, é assassinato”.

Milhares paralisaram suas atividades e marcharam vestidas de preto, seguindo a orientação das centrais, como forma de demonstrar luto e homenagear os mortos. Os sindicalistas denunciam que o governo tem sido completamente negligente em relação às condições de trabalho dos operários.

Conforme os sindicalistas, a privatização da mineração, promovida pelo governo sem qualquer preocupação em resguardar a segurança e ignorando os alertas acerca dos riscos da atividade, agravou a situação. “Centenas de nossos irmãos trabalhadores em Soma morreram obrigados a trabalhar em processo de produção brutais, a fim de obter o máximo de lucro para a empresa”, afirmaram os sindicatos na convocatória da greve geral. A Turquia exibe um dos piores índices de acidentes de trabalho do mundo. Estima-se que em média 800 mineiros morrem no país a cada ano.

Sem dúvidas é a ânsia capitalista pelo lucro máximo, associada ao desprezo neoliberal pelo operariado, que explica a tragédia. Em nome das entidades que representa e do conjunto da classe trabalhadora brasileira, a CTB manifesta sua solidariedade internacionalista ao povo da Turquia, bem como sua homenagem aos operários mortos e feridos e repúdio à conduta truculenta e desumana do governo Erdogan e dos capitalistas que lucram à custa do suor e do sangue dos trabalhadores e trabalhadoras. A luta da classe trabalhadora contra a exploração capitalista não tem fronteiras.

São Paulo, 16 de maio de 2014

Adilson Araújo, presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil)

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