Manutenção da taxa básica de juros é inaceitável, diz nota da CTB

A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) divulgou nota no dia 24 de janeiro criticando a decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) de manter a taxa básica de juro em 11,25%.

Decisão do Copom confirma ditadura do mercado financeiro

A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) considera a decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) de manter a taxa básica de juro em 11,25% inaceitável. Mais uma vez o Banco Central (BC) curvou-se à ditadura do mercado financeiro. As conseqüências dos juros altos são conhecidas. A dívida pública aumenta, os investimentos no setor produtivo caem e os juros ao consumidor também ficam mais altos. A Selic nas alturas ainda pressiona negativamente o câmbio. E tudo isso junto trava a expansão do crescimento econômico e ameaça sua longevidade.

Obviamente, essa conduta escancarada do BC de beneficiar o capital financeiro em detrimento da produção, da geração de empregos, aumenta a forte rejeição de setores cada vez mais amplos da sociedade. Há uma convicção no pensamento político e econômico brasileiro, progressista e avançado, de que o Brasil vive uma rara oportunidade de adentrar em um ciclo de desenvolvimento duradouro com ritmos e índices compatíveis com seu porte e necessidades. Esse mesmo pensamento faz o alerta de que essa oportunidade está sendo sufocada pela vigência dessa política macroeconômica.

O Copom chantageia com o risco nunca tecnicamente descartado de volta da inflação. Explora o imaginário de um povo traumatizado pela carestia. Fabrica uma dicotomia entre expansão econômica e estabilidade. Mas tal discurso já se revelou inconsistente. As metas de inflação, ditas tanto por vozes gabaritadas como exageradas, vão se apresentando como uma cortina de fumaça. O Copom diz estar de olho nas metas de inflação, mas na verdade está com o corpo inteiro atado às metas da banca, ao apetite insaciável dos especuladores.

A CTB entende que uma ampla mobilização precisa ser construída com a finalidade de pressionar o BC a promover a redução progressiva da Selic. E aproveita a oportunidade para tornar público seu apoio à reivindicação de ampliação e democratização do Copom com o objetivo de coibir a ditadura do mercado financeiro. Enquanto não houver uma forte pressão, a ditadura financeira continuará mandando na economia brasileira. Para a CTB, o momento é propício para colocar essa justa pressão na ordem do dia.

São Paulo, 24 de janeiro de 2008.  

A direção executiva da CTB

 

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