Juros: Copom cede às pressões e muda a política monetária

O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic, a taxa básica de juros da economia, em 1,5 ponto porcentual, para 11,25% ao ano. É a primeira queda dessa magnitude desde 19 de novembro de 2003, quando a Selic recuou de 19% para 17,5% ao ano. A decisão, adotada por unanimidade, configura uma mudança da política monetária conservadora vigente

  até agora e indica que, embora com atraso, finalmente os tecnocratas do Comitê presidido pelo senhor Henrique Meirelles deixaram de fazer ouvidos moucos frente à voz e ao anseio da maioria da nação e cederam à legítima pressão dos movimentos sociais, membros do governo, incluindo o presidente Lula, industriais, comerciantes e produtores rurais.

Não restam dúvidas de que a ação unitária das centrais sindicais sob a palavra de ordem “menos juros e mais desenvolvimento” teve papel determinante neste resultado, que merece o apoio crítico da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil). É indispensável enfatizar que o passo dado ainda peca por timidez. O corte não foi suficiente para nos retirar da condição de campeões mundiais dos juros altos e tampouco nos deixa muito próximos dos padrões civilizados praticados no chamado Primeiro Mundo, que diante da crise está apelando para taxas de juros negativos, ou seja, inferiores às taxas de inflação.

O desempenho do PIB no quarto trimestre de 2008 (-3,6%), uma surpresa para muitos, revela uma realidade desagradável, mas com a qual queiramos ou não teremos de lidar. Independentemente da nossa boa vontade, o Brasil foi fortemente afetado pela crise do capitalismo internacional, irradiada dos EUA, e as autoridades econômicas devem enfrentar a ameaça de recessão com ousadia e sem ilusões, rompendo de vez os laços que nos prendem às ideias e políticas neoliberais e mudando corajosamente os rumos da política econômica (monetária, fiscal e cambial), de forma a abrir caminho a um novo projeto de desenvolvimento nacional, fundado na soberania e na valorização do trabalho. As centrais sindicais não devem baixar a guarda, a luta continua, por menos juros, mais desenvolvimento, contra as demissões, em defesa do emprego, do fortalecimento do mercado interno e dos direitos sociais.

 

São Paulo, 11 de março de 2009

Wagner Gomes

Presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil)

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