Entrevista do ministro do STF revela caráter reacionário da mídia

O caráter reacionário e antidemocrático da mídia brasileira transparece de forma clara na entrevista que o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu à jornalista Mônica Bergamo, publicada nesta quinta, 2, em sua coluna na Folha de São Paulo. Arvorando-se em dona da verdade e disseminando a ideologia da direita neoliberal como pensamento único, a grande mídia destilou veneno contra Mello por não se conformar com o voto do ministro a favor dos embargos infringentes para os réus do chamado mensalão.

Foram muitas as pressões para que o ministro votasse segundo os interesses da mídia (que, não por coincidência, são os mesmos do PSDB e do DEM), em vez de se guiar pela própria consciência. A revista Veja dedicou capa ao tema, com uma foto do juiz e um recado embutido de que ele seria crucificado pelos monopólios da comunicação e pela “opinião publicada” se votasse como já tinha anunciado que votaria, ou seja, a favor dos embargos infringentes. Mello não se dobrou e foram fartos os editoriais e comentários irritados de articulistas a soldo da direita.

“Essa tentativa de subjugação midiática da consciência crítica do juiz mostra-se extremamente grave e por isso mesmo insólita”, disparou Celso de Mello. E apontou os riscos deste comportamento inusitado para a democracia. “É muito perigoso qualquer ensaio que busque subjugar o magistrado, sob pena de frustração das liberdades fundamentais reconhecidas pela Constituição. É inaceitável, parte de onde partir. Sem magistrados independentes jamais haverá cidadãos livres.”

Disse ainda o ministro que a liberdade de crítica da imprensa “é sempre legítima”, mas é muitas vezes concebida com base em “fundamentos irracionais e inconsistentes”. Isto também é notório na conduta da mídia, que usa o pretexto da liberdade de imprensa para distorcer fatos, impor opiniões unilaterais de caráter reacionário, criminalizar as lutas sociais e silenciar sobre temas incômodos, como ocorre escandalosamente em relação à terceirização.

A CTB manifesta sua solidariedade ao ministro Celso de Mello e reitera a disposição de lutar pela democratização da comunicação em nosso país. Já está mais do que na hora de regulamentar a mídia no espírito dos princípios consagrados na Constituição Cidadã de 1988. Só não concordam com isto a meia dúzia de famílias capitalistas que monopolizam os meios de comunicação. Essas fazem um barulho infernal e não economizam papel nem sofismas para manter seu latifúndio midiático.

Adilson Araújo, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB)   

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