Em teleconferência, CTB analisa conjuntura e mobiliza para atos do 7 de setembro

A reunião da direção da CTB realizada por teleconferência nesta quarta-feira (4) teve dois temas por pauta: a conjuntura, com exposição do jornalista e assessor da Central, Umberto Martins, e a reforma sindical que vem sendo cogitada pelo governo Bolsonaro, abordada pelo secretário de Relações Internacionais, Nivaldo Santana. A síntese e os encaminhamentos da reunião ficaram a cargo do presidente, Adilson Araújo, que destacou a necessidade de concentrar energia na mobilização das bases para as manifestações do Grito dos Excluídos em 7 de setembro.

Salientou-se o fato de que a conjuntura internacional é fortemente influenciada e determinada pelos conflitos ente EUA e China, cujo pano de fundo é a disputa da liderança geopolítica global. Sobre a economia recaem os efeitos negativos da guerra comercial movida pelos EUA contra a China, que não se limitam às duas potências. Afetam todo mundo e provocam um quadro recessivo no comércio exterior. O nervosismo nas bolsas de valores e a instabilidade cambial refletem, além das perturbações e incertezas causadas pela guerra comercial, o receio de que uma recessão está a caminho nos EUA.

Avanço do autoritarismo

É um cenário de crise geopolítica e econômica do capitalismo que favorece o crescimento da extrema direita, ou de grupos neofascistas, dos quais no Brasil o presidente Jair Bolsonaro é um expoente, a exemplo de Donald Trump nos EUA e outros líderes políticos na Europa e outros continentes. Como no século 20 o autoritarismo fascista parece ser o último refúgio do capitalismo em crise. A defesa da democracia está, por consequência, na ordem do dia e assume centralidade.     

Lideranças da CTB carioca acompanhando o debate

No Brasil, o governo Bolsonaro radicaliza a agenda de restauração neoliberal imposta pelo golpe de 2016, tendo por alvo principal a classe trabalhadora e suas organizações. Com apoio das forças conservadores hegemônicas no Congresso Nacional e o recurso do que apelidou de velha política, liberando verbas para emendas parlamentares bilionárias, o líder da extrema direita brasileira logrou a aprovação da contrarreforma da Previdência na Câmara Federal e espera obter igual resultado no Senado, onde o debate e a luta em torno do assunto prossegue.

Reforma sindical

A ofensiva do Palácio do Planalto contra os trabalhadores e trabalhadoras é renovada diariamente. No momento ele cogita acabar com a estabilidade dos servidores públicos. Formou-se no Ministério da Economia um Grupo de Trabalho, composto por notórios inimigos da classe trabalhadora e do Direito do Trabalho (como o juiz Ives Granda Filho), com a função de intensificar o bombardeio contra as conquistas trabalhistas consagradas na CLT, que querem acabar de liquidar, e na Constituição.

No topo da agenda do grupo coordenado pelo ex-deputado Rogério Marinho (que foi relator da reforma trabalhista de Temer) está a proposta de extinção da Unicidade Sindical, prevista no Artigo 8º da Carta Magna, com a concomitante implantação do pluralismo sindical. Ao analisar o tema, os dirigentes da CTB reiteraram a posição da Central em defesa da unicidade e contra a fragmentação e divisão das entidades, que vai enfraquecer a resistência e a luta contra o retrocesso do povo brasileiro contra o retrocesso.

Lideranças da Central em Porto Alegre

O governo vem se notabilizando, igualmente, pelas atitudes e concepções reacionárias em relação ao meio ambiente, e particularmente à Amazônia, índios, mulheres e negros, com incentivos diuturnos à intolerância, à censura, ao autoritarismo e à violência. No plano da política externa colocou o Brasil no colo do presidente estadunidense, Donald Trump, e abriu o pré-sal à exploração das multinacionais do petróleo.

Crise   

Constata-se que a orientação neoliberal e entreguista do Ministério da Economia, com ênfase na chamada austeridade fiscal e nas privatizações, tem um efeito devastador sobre a Educação, a Ciência, a infraestrutura, a seguridade social e o conjunto da economia nacional ao alimentar a estagnação e obstruir o caminho da recuperação econômica.

Depois da severa recessão de 2015 e 2016 o país foi condenado à virtual estagnação da economia pelo novo regime fiscal inaugurado por Temer, fundado no congelamento dos gastos públicos primários por 20 anos com cortes radicais e contraproducentes nos orçamentos da União. O quadro de crise se agrava e se traduz no desemprego em massa e na crescente precarização do mercado de trabalho, com mais de 40% dos trabalhadores e trabalhadoras na informalidade, que resulta em boa medida da malfadada reforma trabalhista.

Por estas e outras razões, a desaprovação do governo e do presidente avança rapidamente tendo por contrapartida o crescimento do descontentamento popular, que vem sendo demonstrado nas manifestações de rua. Foram lembrados os atos de 15 e 30 de maio contra os cortes no orçamento da Educação, a greve geral de 14 de julho e a mobilização de 13 de agosto em todas as capitais e em várias cidades do país.

7 de setembro

A vitória da oposição nas eleições primárias na Argentina sugere que a onda neoliberal que se abateu sobre a América Latina nos últimos anos deve ter fôlego curto. A fragilidade básica do projeto abraçado pelas classes dominantes da região reside no fato de que, ao contrário das promessas, o neoliberalismo agrava visivelmente os impasses da economia, a desigualdade e a crise social. Por isto já foi derrotado em inúmeros países desde o início do século. Não é solução, é obstáculo ao desenvolvimento nacional e um problema a ser removido pelo povo.

CTB em Pernambuco, destaque para as dirigentes mulheres

Resistência e luta em defesa da democracia, da soberania nacional e dos direitos sociais. Na opinião dos sindicalistas, este é o caminho que deve ser trilhado pela CTB, assim como pelas demais centrais e pelos movimentos sociais, em ampla aliança com as forças políticas contrárias à barbárie que o Clã Bolsonaro vem semeando.

As ruas são o palco principal da luta do povo neste momento e toda energia deve ser empregada na mobilização das bases para manifestações unitárias como as que serão realizadas no próximo sábado, 7 de setembro, em todo o país, conforme frisou o presidente da Central, Adilson Araújo.

Dirigentes da CTB em 16 estados participaram da teleconferência: Ceará, Pernambuco, Bahia, Alagoas, Goiás, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Sergipe, São Paulo, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Santa Catarina, Maranhão e Amazonas.

Compartilhar: