Em defesa dos operários da GM

Os operários da GM em São José dos Campos correm o risco de demissão em massa. A multinacional estadunidense resolveu esvaziar suas operações na cidade paulista em função da crise na matriz e já abriu dois programas de demissões voluntárias com o objetivo de desempregar pelo menos 1,5 mil trabalhadores.

A CTB considera inaceitáveis as demissões e o terrorismo contra os trabalhadores. O episódio é um exemplo do caráter antissocial e antinacional da conduta das multinacionais, que atropelam os interesses dos trabalhadores e do país ao mesmo tempo em que se beneficiam das medidas adotadas pelo governo com o objetivo de estimular o consumo e a produção de veículos e abusam da liberalidade da legislação sobre remessas de lucros e dividendos.

O governo doou R$ 26 bilhões à indústria automotiva brasileira desde o início da crise mundial, através da renúncia fiscal, sem exigir contrapartida social. Ao longo dos três últimos anos as montadoras, todas multinacionais, remeteram 14,6 bilhões de dólares ao exterior para cobrir problemas financeiros das matrizes, dinheiro grosso subtraído dos investimentos internos. Além da sangria da mais-valia produzida pelo trabalho nacional, a GM e outras empresas do ramo (como a Volks) ameaçam com demissão em massa.

Já a direção do sindicato que representa a categoria, filiado à Conlutas, carece de capacidade e competência para liderar um processo de luta e negociação consequente em defesa do emprego e, por esta e outras razões, não goza da simpatia nem da confiança dos operários. Isto ficou claro nas últimas eleições para a diretoria da entidade. Os sindicalistas do Conlutas, que estão no sindicato desde a dédade de 1980, embora logrando a reeleição, perderam e feio na GM, obtendo apenas um terço dos votos na disputa contra a chapa da oposição liderada pela CTB.

É hora de uma ampla mobilização do movimento sindical, em aliança com os movimentos sociais e as forças progressistas da nossa sociedade, em defesa do emprego dos operários, contra o facão multinacional e pela restrição e taxação das remessas de lucros e dividendos ao exterior. É também indispensável que a concessão de estímulos fiscais ou de outra natureza às empresas seja condicionado a contrapartidas sociais como a manutenção do emprego.

São Paulo, 12 de julho de 2012

Wagner Gomes
Presidente Nacional da CTB

 

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