Decisão do Copom: o Banco Central continua jogando contra o desenvolvimento nacional

A decisão anunciada nesta quarta-feira (29-10) pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), de manter a taxa básica de juros em 13,75%, não é a resposta que o movimento sindical e as forças progressistas que defendem o desenvolvimento nacional reclamam diante da crise econômica do capitalismo

internacional, que tem por epicentro os EUA.

 Tal deliberação traduz, uma vez mais, a orientação conservadora da instituição, que age com indevida autonomia na contramão dos interesses nacionais, indiferente aos pleitos da classe trabalhadora e de amplos setores do empresariado associado ao setor produtivo.

Frente ao avanço da crise é imperioso e urgente reduzir de forma substancial as taxas básicas de juros, ainda mais se considerarmos que elas foram majoradas nas três reuniões anteriores do Copom, subindo de 11,25% em abril deste ano para os 13,75% atuais. Neste campo, o Brasil devia fazer não o que as potências capitalistas recomendam, através do FMI, mas aquilo que efetivamente fazem.

Nesta mesma quarta-feira, o Federal Reserve (FED, banco central dos EUA) reduziu a taxa básica de juros para 1% ao ano, bem abaixo da inflação (cerca de 5%) pela nona vez consecutiva desde setembro do ano passado, quando os juros estavam estacionados em 5,25%. A União Européia seguiu o mesmo caminho dias atrás. O banco central da China anunciou uma nova redução da taxa básica, para 6,6%, a terceira em seis semanas.

A redução das taxas de juros é indispensável para evitar desdobramentos mais sérios da crise financeira no setor produtivo, o que pode comprometer as modestas conquistas sociais obtidas ao longo dos últimos anos e jogar água no moinho do desemprego. O BC não pode continuar jogando contra o desenvolvimento nacional no Brasil.

A CTB conclama à união das centrais, dos movimento sociais e de todas as forças interessadas no desenvolvimento nacional com soberania e valorização do trabalho e da produção a intensificar a luta pela redução das taxas de juros, contra a autonomia do Banco Central e pela democratização do Conselho Monetário Nacional (CMN).

São Paulo, 29 de outubro de 2008

Wagner Gomes, presidente da CTB – Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil   

 

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CTB convoca para a Jornada mundial pelo trabalho decente

São Paulo, 08 de Outubro de 2008.

 

 

Of.: CTB/SG/69/OUT/2008

 

À

Estaduais da CTB

Ramos e Entidades Filiadas

 

Ref.: Jornada mundial pelo trabalho decente

 

 

A Organização Internacional do Trabalho instituiu em 1999 o conceito de trabalho decente em seu programa, que engloba os seguintes temas: direitos no trabalho, solidariedade e fim da pobreza e das desigualdades sociais.

Tal conceito, em nosso país, se traduz na defesa da redução da jornada de trabalho sem redução de salário, ampliação da oferta do primeiro emprego e de qualificação ao jovem, garantia de emprego digno com carteira assinada, respeito à organização sindical, combate

ao trabalho infantil e escravo, igualdade de direitos entre homens e mulheres e contra a discriminação de gênero, raça ou orientação sexual.

Foi convocada pelas centrais sindicais internacionais uma Jornada Mundial pelo Trabalho Decente. O dia 7 de outubro de 2008 (terça-feira) foi escolhido para que o movimento sindical organize seus trabalhos. No Brasil, pela proximidade com o processo eleitoral, a data será

10 de outubro, sexta-feira.

Nacionalmente, todas as centrais sindicais estão inseridas nesta campanha. Para desdobramentos nos estados, a CTB Nacional orienta que as coordenações estaduais procurem as demais centrais sindicais e organizem atos, mobilizações e outras atividades que tenham como tema as bandeiras do trabalho decente.

Caso não seja possível realizar eventos no dia 10 de Outubro, os Estados poderão trabalhar com outras datas que facilitem a mobilização.

 

Anexo segue cartaz da jornada.

 


Saudações classistas.
 
Pascoal Carneiro

Secretário-geral

Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB