Secretaria Internacional da CTB eleva o sindicalismo classista a um novo patamar em 2010

“Vivemos um momento de grande crise mundial do sistema capitalista. Essa crise é profunda e abarca todas as áreas do sistema: da economia, da política, da sociedade, da cultura, do meio ambiente e até mesmo as relações pessoais”.

A frase acima, dita pelo secretário-geral da Federação Sindical Mundial (FSM), George Mavrikos, explica por que razões as relações construídas entre 2009 e 2010 pela Secretaria de Relações Internacionais da CTB foram cultivadas a partir da solidariedade internacional, da integração, da soberania, do direito à democracia, da cooperação e principalmente do respeito mútuo.

A luta para garantir e ampliar os direitos dos trabalhadores no mundo colocou na ordem do dia, para a classe trabalhadora, o fortalecimento dos laços a nível nacional e internacional, por meio de plataformas comuns de unidade de ação, unificando a classe trabalhadora na luta contra a redução de seus direitos sindicais e trabalhistas, o desemprego, a pobreza, a seguridade social, a criminalização do protesto, as perseguições e os assassinatos.

Apesar de ter sido marcado pela preparação e mobilização de duas grandes jornadas nacionais, o ano de 2010 colocou a CTB em uma posição de destaque internacional devido a seu protagonismo em ambos os acontecimentos: a Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), em junho, e as eleições para Presidência da República, em outubro.

A Conclat, em seu documento final (a Agenda da Classe Trabalhadora), aprovou um Eixo Estratégico específico sobre “Soberania e Integração Internacional”, no qual aparecem três pontos fundamentais: Mercosul, Relações Multilaterais e Fóruns Mundiais e Trabalhadores Imigrantes e Fronteiriços.

Nas eleições para presidente, por meio de uma grande mobilização nacional, a CTB contribuiu para a vitória de Dilma Rousseff. O resultado, além de ser fundamental para o avanço de um projeto nacional com valorização do trabalho, assegurou, no plano internacional, uma evolução do campo democrático e progressista na região.

A CTB, por meio de sua Secretaria de Relações Internacionais, se esmerou em contribuir para o fortalecimento da relação Sul, assim como as demais áreas de atuação geopolítica da Central, como parte das metas traçadas em 2009. Exemplo disso foram os diversos fóruns de participação, tais como o 9º Congresso Regional SIGTUR – Sul Frente à Globalização e por Direitos dos Trabalhadores, celebrado em São Paulo, no mês de abril, no qual a Secretaria esteve em contato direto com companheiros da Ásia, da Oceania, da África e de vários países do continente americano.

Outras atividades de grande importância foram as reuniões e seminários anuais da OIT, como a Conferência Internacional do Trabalho celebrada anualmente em Genebra, a 17ª Conferência Regional Americana da OIT, realizada recentemente no Chile, a participação nos Fóruns Sociais Mundiais de Porto Alegre e Salvador, os encontros da Alba e a Conferência do MERCOSUL de Emprego e Trabalho Decente.

ESNA

Nas Américas, destacam-se particularmente o trabalho realizado por meio do Encontro Sindical Nossa América (ESNA), como membros da Coordenação e como responsáveis pela Secretaria Técnica e de Organização, no qual o número de delegados internacionais  passou de  150 internacionais, para 300 internacionais no 2º ESNA. Já na terceira edição, na qual participaram 43 membros da CTB, de vários estados e organizações do país, os delegados brasileiros tiveram a oportunidade de trocar experiências com mais de 300 organizações internacionais – da Venezuela e dos 33 outros países presentes.

O ESNA, além de ter crescido em termos quantitativos, teve um salto expressivo em nível qualitativo, com a adesão de centrais como a CUT do Chile, a CUT-Colômbia, a CUT Autêntica do Paraguai, a CNT (também do Paraguai), o sindicalismo dos Estados Unidos e do Canadá, além das centrais sindicais da Guiana, de Granada, Trinidad e Tobago e República Dominicana.

Nesse sentido, o ESNA, que busca avançar na luta pelas mudanças buscando o protagonismo da classe trabalhadora, recebeu recentemente o reconhecimento e o agradecimento do presidente Rafael Correa, do Equador, por ter manifestado seu apoio contra a tentativa de Golpe de Estado em seu país. Durante o ano de 2010, o ESNA, além de ter fortalecido seus encontros anuais, trabalhou intensamente para consolidar e construir seu programa de Formação, Pesquisa e Assistência Técnica, algo que evoluiu consideravelmente no recente encontro realizado em Havana.

Por sua parte, a Secretaria Internacional da CTB contribuiu na área de Formação Sindical, estimulando a participação nos Cursos de Atualização Política para Ação Sindical, realizados em Havana, pela Escola de Quadros Sindicais Lazaro Pena da CTC e a Secretaria para as Américas da FSM. Através de vários encontros e de diversas manifestações de apoio e solidariedade aos que lutam contra os impactos da crise na Europa, mantivemos nossas relações fraternas com Portugal, Grécia, Páis Basco, Galícia e ampliamos nossos vínculos com a CGT da França, com a qual organizaremos em 2011 uma Conferência Internacional sobre Agricultura e Alimentação.

A Secretaria participou também da Reunião do Conselho Presidencial da FSM, celebrada no Vietnã. A CTB também participou ativamente do Dia Internacional de Luta, no 1º de maio, e da Jornada Continental contra as Bases Militares.

Com essas e muitas das atividades que ficaram para trás, é possível afirmar que a Secretaria de Relações Internacionais da CTB procurou atender às expectativas do conjunto da Central, assim como aos apelos e chamados da FSM. Por essa razão, a avaliação é a de que a Secretara foi vitoriosa e começará fortalecida para crescer ainda mais durante o ano de 2011.

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