Jornalistas criam site bilíngue que monitora ações de Bolsonaro para Meio Ambiente

Medidas federais foram colocadas em uma linha do tempo; portal fará fiscalização do tema em tempo real

Em meio a recordes de desmatamento na Amazônia e de focos de incêndio no Pantanal, entra no ar nesta quarta-feira 28 o site “Sinal de Fumaça”, um portal bilíngue que fez um levantamento com mais de 220 textos que narram, em uma linha do tempo, os principais eventos ligados ao meio ambiente desde outubro de 2018.

Criado por três jornalistas, o site fará um levantamento em tempo real de todas as ações do governo relacionadas ao meio ambiente.

“Foi muito impressionante, eu achei que iria encontrar 40 fatos e cheguei para mais de 100. Quando você olha os fatos em linha do tempo, vai dando essa noção que é uma sequencia de um programa que esta sendo seguido”, diz a jornalista Rebeca Lerer, uma das idealizadoras.

Lerer e seus colegas Julia Alves e Pedro Nogueira reuniram dados divulgados pela imprensa, pesquisas de universidades, sites oficiais do governo, de ONGs, movimentos sociais e das denuncias feitas pelas redes sociais.

“As conquistas e direitos socioambientais garantidos pela Constituição de 1988 estão ameaçados e sendo desmantelados em tempo recorde pelo governo federal. Precisamos agir”, afirma Rebeca.

Sob o mandato do presidente Jair Bolsonaro, segundo levantamento divulgado em outubro pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), só em 2020 houve aumento de 195% no número de queimadas detectadas no Pantanal comparado com o mesmo período de 2019. A Amazônia segue o mesmo caminho e já atinge recordes históricos de destruição.

Rebeca, que também atua em ONGs de direitos humanos, revela que ao fazer a pesquisa para o site deparou-se com quatro padrões na atuação do Ministério do Meio Ambiente, comandado por Ricardo Salles: interferência em agências e autarquias federais; corte de orçamento e bloqueio de verbas; falta de transparência de dados e a criminalização de ONGs e movimentos sociais de diversas causas.

“Os padrões mostram que, diferente das analises que foram feitas em outubro de 2018 de que o governo foi eleito na esteira do antipetismo e no desejo das reformas do mercado, há um plano de destruições das pautas a longo prazo com o intuito de permanecer por vários anos”, afirma.

Um site para o mundo ver

Rebeca conta que ao traduzir o conteúdo do site para o inglês, o objetivo é dar maior visibilidade aos problemas ambientais do País.

“O pessoal lá de fora e a imprensa internacional recebem as informações muito fragmentadas, o que fica difícil para eles entenderam como as coisas funcionam por aqui. O tratado da União Europeia com o Mercosul é uma pauta urgente e vai ser decisiva do ponto de vista do mercado internacional”, diz.

No início do mês,  o Parlamento Europeu aprovou uma resolução que pede mudanças na agenda ambiental de países do Mercosul para que seja ratificado o acordo entre o bloco e a UE. A resolução foi confirmada por 345 votos a favor, 295 contra e 56 abstenções.

“A boiada que o Salles disse que queria passar está acontecendo e a linha do tempo mostra as reformas que ele chama de boiada. Tudo feito via decreto, resoluções internas, reformas ilegais. A mídia não está prestando atenção”, conclui a jornalista.

Fonte: CartaCapital

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