Unesco desenha mapa da educação superior na América Latina

O Mapa da Educação Superior (Mesalc), estudo desenvolvido pelo Instituto Internacional da Unesco para a Educação Superior da América Latina e do Caribe (Iesalc), revela uma realidade de contrastes, desigualdades, mas também apresenta avanços. O estudo, coordenado pelo venezuelano Klaus Jaffé e o brasileiro José Renato Carvalho, foi apresentado no início do mês de junho em Cartagena das Índias, na Colômbia. "A América Latina está atrasada em relação a outras regiões, apesar de um aumento nos indicadores", diz o estudo que analisou a cobertura e a qualidade da educação em 1.231 universidades de 28 dos 33 países que integram a Unesco.

Atualmente a taxa de cobertura educacional de nível universitário está próxima de 32% na América Latina, enquanto que o mesmo indicador registra 68% na Ásia e 87% na Europa, indica o informe, que também destaca a enorme desigualdade entre os países da região. Entre os problemas detectados pela Unesco destaca-se o desequilíbrio na cobertura regional da educação. "É difícil pensar em políticas regionais diante da disparidade de realidades", ressalta o estudo. Assim, Brasil, México, Argentina, Venezuela e Colômbia concentram 75% da cobertura educacional de nível universitário.

Quanto ao tema da qualidade, a Unesco considerou que os governos da região não estabeleceram uma regulação clara. "Em termos de cobertura, a educação superior na América Latina parece um doente terminal", disse a brasileira Ana Lúcia Gazzola, diretora do Instituto e ex-reitora da UFMG. O estudo da Unesco pretende elaborar propostas concretas da região para o fórum mundial sobre educação que será organizado em outubro de 2009 em Paris.

Apesar do panorama sombrio, a Unesco destacou o aumento no número de matrículas e a maior presença de mulheres nas universidades públicas e privadas da América Latina, mas lamentou que a taxa de abandono entre os homens esteja em crescimento. "Outro enorme desafio para a região é a implementação de políticas de estímulo para que os graduados não deixem seus países em busca de oportunidades em nações desenvolvidas", enfatizou Gazzola.

(Sinpro MG com informações da France Presse, em Cartagena)

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