Governador de Pando é preso por morte de camponeses e desobediência

O governador do Departamento (Estado) de Pando, Leopoldo Fernández, foi preso e levado para La Paz, acusado de ser o responsável pela morte de dezessete camponeses indígenas. A Justiça também aponta que ele não seguiu as ordens de estado de sítio na região. Os camponeses foram mortos na semana passada na localidade de El Porvenir, no episódio mais sangrento da atual crise política boliviana.

As imagens da TV boliviana mostraram o político opositor ao presidente Evo Morales sendo transportado ao aeroporto de Cobija, capital do Departamento, e embarcando em avião em direção à capital da Bolívia.

Desde sábado, o governo boliviano decretou a detenção do governador, apontando Fernández como conivente com a ação que, além dos mortos, feriu cerca de 100 pessoas, incluindo três brasileiros – a região é vizinha ao Acre. O número de vítimas pode ser ainda maior, já que muitos agricultores feridos escaparam pela selva e são dados como desaparecidos.

As forças militares bolivianas ocuparam a capital de Pando a partir da madrugada de domingo. Na segunda-feira, Fernández seguia na cidade e desafiou os militares a prendê-lo, passeando pela praça central e cumprimentando partidários.

Nesta amanhã de terça, porém, um contingente militar foi a sua casa e o escoltou até o avião que o levaria a La Paz. Os outros governadores alinhados com Fernández (mandatários dos Departamentos de Beni, Santa Cruz e Tarija) tentaram embarcar para Cobija para dar apóio ao colega, mas não conseguiram porque o aeroporto está ocupado desde sábado, em ação que acabou com dois mortos (um soldado e um opositor).

"É um processo de genocídio para Fernández. Ele desobedeceu ao estado de sítio que foi decretado seguindo a Constituição. A Justiça tem que zelar pelas vidas bolivianas, o que o governador não fez", afirmou o presidente Evo Morales, em entrevista coletiva no palácio Quemado, sede de governo, após voltar de Santiago (Chile), onde se reuniu na segunda com os outros nove mandatários sul-americanos.

Rodrigo Bertolotto – Enviado especial do UOL Em Santa Cruz de la Sierra (Bolívia)

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