Queda mundial da pandemia, menos no Brasil

Por Altamiro Borges

A edição brasileira do jornal espanhol El País dá uma boa e uma péssima notícia sobre a pandemia do novo coronavírus. “Mundo consolida a primeira queda global da Covid-19 desde o início da pandemia”. No outro extremo, “o Brasil segue na contramão, com aumento de casos” de contágios e mortes.

Como aponta a reportagem, “até poucas semanas atrás, a curva do coronavírus no mundo não parava de subir… Mas a direção da curva mudou. Pela primeira vez desde o surgimento da Covid-19, ela caminha para seis semanas consecutivas de declínio de novos casos e três de mortes”.

Esse declínio mundial “não pode mais ser considerado um artifício estatístico: trata-se de uma tendência clara”. Já no Brasil do negacionista e genocida Jair Bolsonaro, “a oscilação tem sido para cima. Há um mês, o país registra uma média de mortes superior aos 1.000 casos diários”.

Vacinação e medidas de prevenção

O jornal El País alerta que ainda não há nada seguro sobre o futuro da pandemia. “As quedas não são definitivas. Até esta última onda, falando do vírus, tudo o que desce acaba subindo”. O essencial, dizem os especialistas em saúde, é garantir a vacinação e as medidas de prevenção.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a pandemia atingiu o pico na semana de 4 de janeiro, com mais de 5 milhões de novos positivos. Na semana passada, a última para a qual há dados consolidados, esse número caiu para quase a metade: 2,7 milhões dos 110 milhões de positivos que a pandemia acumula.

A tendência de queda das mortes é semelhante, mas em um ritmo menor. “Com o inverno no hemisfério norte, as mortes dispararam, atingindo seu máximo na última semana de janeiro: mais de 98 mil. Na semana passada foram 82.538 e somam quase 2,5 milhões desde o início da crise”.

“O incêndio não está apagado”

Para Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, o declínio global “demonstra que as medidas simples de saúde pública funcionam, inclusive na presença de variantes”. Em uma entrevista coletiva concedida em 15 de fevereiro, ele destacou que o importante agora é manter essa tendência:

“O incêndio não está apagado, mas reduzimos seu tamanho. Se o abandonarmos em alguma frente, ele se reavivará com fúria. Cada dia que passa com menos infecções significa vidas salvas, sofrimentos evitados e o alívio, mesmo que seja pequeno, da pressão sobre os sistemas de saúde”.

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