Movimentos progressistas da Colômbia denunciam tentativa de golpe contra Gustavo Petro

Foto: REUTERS/Luisa Gonzalez

Movimentos sociais progressistas da Colômbia denunciam que o presidente do país, Gustavo Petro, é alvo de uma campanha de desgaste e ataques midiáticos muito semelhantes à que acabou redundando na queda da brasileira Dilma Rousseff em 2016. Primeiro governo de esquerda na história da Colômbia, o mandatário tem propostas de reformas estruturais nas áreas de trabalho, saúde e previdência que beneficiam os trabalhadores, mas desagradam o capital.

Em um documento divulgado na quarta-feira (7), centenas de intelectuais progressistas internacionais denunciam um “golpe brando” em marcha contra Petro. Entre eles, Adolfo Pérez Esquivel, vencedor do Prêmio Nobel da Paz; o jurista espanhol Baltasar Garzón; o líder trabalhista britânico Jeremy Corbyn; Gleisi Hoffmann, presidente do Partido dos Trabalhadores; João Pimenta Lopes, deputado membro do Parlamento Europeu.

“Desde a eleição do primeiro governo progressista do país – encabeçado pelo presidente Gustavo Petro, vice-presidente Francia Márquez e o Pacto Histórico no Congresso – os poderes tradicionais da Colômbia vêm tentando restabelecer uma ordem marcada por extrema desigualdade, destruição de meio ambiente e violência patrocinada pelo Estado”, diz o documento.

Agora, menos de um ano após a posse do atual governo, conglomerados de mídia e o judiciário do país querem “interromper as reformas, intimidar, derrubar seus líderes e manchar sua imagem na cenário internacional”, continua a carta.

“Estão agindo com o Petro a exemplo do que ocorreu com Dilma. A tentativa clara é tentar um golpe ou impeachment”, diz à RBA Rita Berlofa, secretária de Relações internacionais da Contraf-CUT e presidenta da UNI Finanças Mundial.

Manifestação em popular

Na última quarta-feira (7) aconteceu em Bogotá uma manifestação popular em apoio a Petro e às reformas, com a participação do próprio presidente. Ele também participa da marcha. Segundo os movimentos que apoiam o governo, a imprensa, empresários e parte do Judiciário estão contra o chefe do governo.

“O modus operandi é muito semelhante ao que conhecemos no Brasil”, diz Rita. “Eles atuam com uma campanha de fake news. Por isso, boa parte da população é contra o governo ignorando suas propostas.”

A intenção dos setores conservadores colombianos é impedir a discussão no Congresso das reformas da saúde, trabalho e pensões, após o “escândalo” provocado por áudios divulgados sobre suposto financiamento da campanha eleitoral de Petro.

Denúncia

No domingo (4), a revista local Semana divulgou esses áudios supostamente enviados por Armando Benedetti, que chefiou a campanha de Petro no ano passado, para Laura Sarabia, braço direito do presidente. Benedetti depois virou embaixador na Venezuela.

Segundo a denúncia, Benedetti ameaça revelar um suposto financiamento ilegal de 15 bilhões de pesos (cerca de R$ 17 milhões em valores atuais) da campanha do atual presidente, e se isso ocorrer “todos na cúpula do governo vão para a cadeia”. Benedetti afirma que os áudios foram “manipulados”.

Ontem, a bancada do Pacto Histórico divulgou um comunicado no qual afirma rejeitar “veementemente as tentativas de desestabilizar a democracia, as instituições e o governo da mudança, venham de onde vierem”. No documento, os parlamentares dizem ainda: “Os supostos responsáveis ​​por casos de corrupção devem responder às autoridades competentes Exigimos que as autoridades competentes investiguem com rigor, presteza e imparcialidade, garantindo sempre o devido processo legal”.

Informações: Rede Brasil.

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