Fidel alertou que o assassinato de Chávez seria uma catástrofe

CARACAS — "O assassinato do presidente Hugo Chávez seria uma catástrofe para a pátria de Simón Bolívar", alertou o líder cubano Fidel Castro, numa carta lida na televisão no domingo, 14 de setembro, pelo presidente venezuelano.

Fidel se referiu a um plano para realizar um golpe militar e um magnicídio na Venezuela, com a participação de militares aposentados e ativos, recentemente revelado.

"O que deveriam fazer é cuidá-lo, se acreditam, na verdade, que o socialismo é um fracasso que divorcia os líderes de seu próprio povo, quando realmente é o único caminho, o único caminho para a vida, a Pátria", expressou Fidel Castro na missiva lida por Chávez em seu programa Alô presidente, segundo noticiou a PL.

Comentando a mensagem, o presidente venezuelano, que tinha recebido na véspera um emissário do líder da Revolução cubana portador de uma mensagem, declarou: "Fidel Castro está travando nossa batalha".  Chávez afirmou sentir-se honrado "por ser destinatário destas linhas de um homem que viveu uma longa vida e longa batalha, e aí está travando sua batalha, nossa batalha".

"Com uma profunda consciência, espírito e mente, Fidel Castro está pensando no futuro dos povos", assinalou Chávez no começo de seu programa Alô presidente, que se realizou no município El Viñedo, mais de 300 quilômetros a sudeste de Caracas.

"Na carta que envia para todos os venezuelanos, faz uma análise política, histórica e econômica das circunstâncias em que se desenvolveram em Cuba e na Venezuela", disse .

"Há dois tempos na vida de ambos os povos. O petróleo venezuelano não é a cana-de-açúcar. Trata-se duma matéria que, embora se pagasse por ela muito pouco, era tal seu volume e qualidade que gerava grandes lucros numa moeda que teve durante dezenas de anos grande poder aquisitivo", leu Chávez.

"Seu país atingiu determinados níveis de desenvolvimento industrial", afirmou Fidel Castro no texto que o presidente sul-americano anunciou que leria em partes.

"Você assume por méritos próprios e apoio popular a direção dum povo que recebia muito pouco do que produzia", lembrou Fidel em sua mensagem aludindo ao triunfo eleitoral de Chávez em 1998.

O líder cubano acrescentou: "Sobravam braços, havia desemprego, o consumismo dos ricos, suas lojas e serviços ao estilo ianque, impulsionaram-no a vender sua força de trabalho, submeteram-no à inflação, roubaram descaradamente suas reservas de divisas".

A seguir, Chávez leu que, contudo, Cuba apenas contava com seus lucros pela cana-de-açúcar.

"Existia um aparelho do Estado ineficiente e forças armadas sem história própria, tudo era uma invenção ianque. Os dois desapareceram", leu Chávez depois de agradecer as reflexões de Fidel Castro que servirão a todos os revolucionários do mundo.

"Nós, inexperientes, chegamos ao poder com mais audácia que líderes da Revolução francesa como Danton e não menos radicalismo que Robespierre", leu Chávez ao comentar que esses parágrafos cheiram a história profunda. •

Granma

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