Em ataque com drone, EUA assassinam ao menos 30 agricultores inocentes no Afeganistão

Um ataque com drone dos Estados Unidos com o suposto objetivo de atingir um esconderijo do Estado Islâmico no Afeganistão matou pelo menos 30 civis que estavam descansando após um dia de trabalho no campo, conforme informações divulgadas por autoridades do país nesta quinta-feira (19).

O ataque na noite de quarta (18) também feriu 40 pessoas depois de atingir acidentalmente agricultores e trabalhadores que acabavam de colher pinhões em Wazir Tangi, na província de Nangarhar, no leste do país, disseram três autoridades afegãs à Reuters.

Um passatempo sinistro

É mais um bárbaro crime do imperialismo, com rasa repercussão na mídia internacional. Os ataques com drones (aviões militares não tripulados) é um expediente ao mesmo tempo covarde e cômodo da maior e mais inescrupuloso potência bélica do planeta, pois não coloca em risco a vida de pilotos estadunidenses e passa desapercebido pela opinião pública, ao contrário do que ocorreu durante a guerra do Vietnã, que motivou protestos gigantes nos EUA.

O ex-presidente Barack Obama, falsamente celebrado como um democrata pacifista (chegou a ganhar imerecidamente um Prêmio Nobel da Paz) desenvolveu o sinistro hobby de selecionar pessoalmente (toda as terça-feira) os alvos dos drones assassinos, conforme informações do New York Times.

O jornalista australiano John Pilger comenta que “foram atacadas festas de casamento, funerais, pastores, bem como aqueles que tentavam recolher restos dos corpos classificados como ´alvos terroristas´.

Um importante senador republicano, Lindsey Graham, estimou, apavorado, que os drones de Obama mataram 4.700 pessoas. “Por vezes atingem-se pessoas inocentes e odeio isso”, disse ele, “mas removemos alguns altos membros da Al Qaeda”.

Crime sem castigo

Segundo inquérito do Council on Foreign Relations, só em 2016 Obama despejou 26.171 bombas pelo mundo. Isto equivale a 71 bombas por dia. Ele bombardeou os povos mais pobres da terra, no Afeganistão, Líbia, Iémen, Somália, Síria, Iraque, Paquistão.

Na quarta-feira as vítimas da “guerra contra o terrorismo”, que continua ainda que mais branda no governo Trump, foram 30 pacíficos e inocentes agricultores, assassinados no momento em que realizavam a sagrada colheita.

“Os trabalhadores acenderam uma fogueira e estavam sentados juntos quando um drone os atingiu”, disse o ancião tribal Malik Rahat Gul à Reuters por telefone de Wazir Tangi.

O Ministério da Defesa do Afeganistão e um alto funcionário dos EUA em Cabul confirmaram o ataque com drone, mas não divulgaram detalhes das vítimas.

“As forças norte-americanas realizaram um ataque com drone contra terroristas do Daesh em Nangarhar”, disse o coronel Sonny Leggett, porta-voz das Forças Armadas norte-americanas no Afeganistão.

“Estamos cientes das alegações de mortes de não combatentes e estamos trabalhando com autoridades locais para determinar os fatos”, acrescentou o oficial. É o que podemos chamar de conversa fiada para jogar uma cortina de fumaça sobre este sórdido crime do imperialismo americano que certamente não será castigado.

Umberto Martins, com informações de Ahmad Sultan e Abdul Qadir Sediqi, na Reuters

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