Globo manipula resultado de pesquisa para fazer crer que maioria aprova a reforma da Previdência

As Organizações Globo, e em particular o Globonews, estão em estado de guerra a favor da reforma da Previdência proposta pelo ministro Paulo Guedes. Todo o seu exército de jornalistas e âncoras foi unificado em torno do tema. Pela emissora ecoa uma única voz, já não cabe o contraditório e apela-se para tudo, inclusive manipulação desavergonhada de pesquisas de opinião, para convencer o distinto público de que o Brasil não tem jeito sem a reforma.

Foi o que ocorreu no noticiário da última segunda-feira (17) sobre a mais recente pesquisa Ibope acerca da percepção popular em relação à famigerada reforma. Os jornalistas se esforçaram para demonstrar que a pesquisa do Ibope indicava um amplo apoio popular à proposta do governo, embora o percentual de apoiadores (com ou sem restrições) alcança 44% em contraposição a 49% que são contra, o que foi descaradamente omitido pela emissora.

É surpreendente que assim seja apesar da verdadeira lavagem cerebral que a mídia hegemônica, sob a liderança da Globo, vem promovendo com o objetivo de convencer a população sobre a conveniência da reforma, que na verdade reduz direitos e joga sobre as costas dos mais pobres o ônus da crise econômica. Em torno de 80% da economia de U$ 1 trilhão pretendida por Paulo Guedes serão subtraídos de trabalhadores e trabalhadoras do Regime Geral de Previdência Social (RGPS), em que o valor médio das aposentadorias é de cerca de R$ 1,3 mil.

Uma abertura dos números mostra, no entanto, que apenas 19% se dizem completamente favoráveis às mudanças nas regras da aposentadoria apresentadas e 25% se dizem parcialmente a favor. Entre os que são avessos ao texto, 33% se dizem completamente contra e 16%, parcialmente. Ou seja, há uma folgada maioria contra a reforma, o inverso da imagem produzida pelos funcionários da família Marinho.

A pesquisa foi realizada entre 23 e 27 de maio e soma 2.002 entrevistas, com margem de erro de 2 pontos porcentuais para baixo ou para cima. O levantamento tem abrangência nacional e escutou pessoas de capitais, periferia e interior.

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