Sem critérios, pacientes psiquiátricos são submetidos a tratamento de eletrochoque em Minas Gerais

Por Anderson Pereira

Pacientes do Hospital Psiquiátrico Raul Soares, em Belo Horizonte, são submetidos a tratamento de eletrochoque, também conhecido como eletroconvulsoterapia (ECT), de forma indiscriminada. Especialistas alertam que esse tratamento só deve ser aplicado em casos específicos.

“Após várias denúncias, temos cobrado um posicionamento da Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig), mas não tivemos nenhuma resposta”, afirma o médico e secretário-geral do Conselho Municipal de Saúde de Belo Horizonte (CMS-BH), Bruno Pedralva.

Ele explica que, no início deste mês, o Plenário do Conselho Municipal de Saúde da capital (CMS-BH) enviou um documento ao Hospital Raul Soares pedindo a suspensão do eletrochoque, até que uma comissão fosse instituída.

Embora não seja proibido, o eletrochoque é considerado extremamente invasivo e deve ser utilizado no tratamento psiquiátrico como último recurso.

Na época da Ditadura Militar no Brasil, por exemplo, o eletrochoque foi bastante utilizado pelos militares para torturar presos políticos.

De acordo com Pedralva, ainda hoje “existe uma grande discussão sobre em quais situações esse procedimento seria indicado”.

“O eletrochoque não tem nenhuma indicação para alguns profissionais. Outros defendem, a partir de algumas recomendações internacionais. De qualquer modo, o Movimento da Luta Antimanicomial aponta que o eletrochoque é utilizado, na maioria das vezes, de forma indiscriminada e deixa de lado as intervenções psicossociais”, lembra ele.

A CTB-MG entrou em contato com o governo de Minas e também com a Prefeitura de Belo Horizonte para apurar as denúncias do Conselho de Saúde.

A Prefeitura da capital não respondeu se tem conhecimento sobre o uso indiscriminado de eletrochoque no Hospital Raul Soares.

Por meio de nota, o município limitou-se a informar que o Instituto Raul Soares pertence ao Estado, mas que “recebeu a resolução do Conselho Municipal de Saúde sobre o assunto, e estuda a criação da comissão de controle, avaliação e regulação da eletroconvulsoterapia”.

Já o governo do Estado de Minas Gerais, não respondeu.

Foto do Hospital Raul Soares / Renato Cobucci – Imprensa MG

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