Secretário de Saúde alerta sobre aumento da covid-19 em Belo Horizonte

Mensagem de Jackson Machado Pinto dirigida a colegas e amigos está viralizando nas redes sociais da capital mineira

Aloísio Morais

Uma mensagem do secretário Municipal de Saúde de Belo Horizonte, Jackson Machado Pinto, dirigida a colegas e amigos, está viralizando nas redes sociais da capital mineira. Jackson, que é dermatologista e professor da Faculdade de Ciências Médicas, chama atenção para o crescimento do número de pessoas contagiadas pela covid-19 e a necessidade de se criar condições urgentes para que elas sejam socorridas.

Nesta terça-feira, 16, Belo Horizonte registrava 76 casos de mortes, sendo nove nas últimas 24 horas. A capital mineira tem ainda 3.400 pessoas infectadas pela doença e está com pelo menos 82% dos leitos disponíveis comprometidos. O estado de Minas registra hoje 502 casos de óbitos, e tem 22 mil pessoas infectadas. Agora a situação é agravada pela falta de leitos no interior e pelo frio do inverno que se aproxima, quando normalmente já ocorre um aumento das doenças respiratórias, como a pneumonia.

Confira a seguir a mensagem distribuída por Jackson Machado:

“Acho que nem precisa, mas é bom alertar para que reforcem com suas famílias e pessoas próximas a necessidade de seguir de forma ainda mais rigorosa as medidas e procedimentos de prevenção contra infecção durante essa pandemia. Participo de um grupo de intensivistas de todos os hospitais de BH que tem acompanhado a evolução da situação de vagas em terapia intensiva. Os números dessa semana são muito preocupantes. Em sete dias tivemos um aumento recorde de mais de 40% em todos os parâmetros de ocupação dos leitos e UTI em BH e estamos muito perto da ocupação plena dos leitos públicos que já estavam disponíveis.

Vamos depender já na próxima semana da abertura dos leitos adicionais programados para essa situação. O desafio vai ser conseguir montar as equipes (medico, enfermeiros, terapeutas respiratórios etc) nesta velocidade, pois leitos no sentido de estrutura física e equipamentos existem em bom número.

Os principais hospitais públicos/SUS como Risoleta (Neves), Odilon (Behrens), Eduardo (de Menezes), Júlia (Kubitschek), Hospital das Clínicas e Santa Casa estão praticamente na sua ocupação plena. Existem muitos planos organizados para abertura de até 400 leitos públicos de UTI extra, à medida que essa situação fosse acontecendo. Para cada leito de UTI extra são precisos cerca de 3 ou 4 leitos de enfermaria. O problema é que se essa velocidade de expansão de 40% de casos graves por semana, se for mantida ou piorar, aponta para uma possibilidade real de faltar leitos de UTI em BH por um período importante de tempo.

Estão sendo abertos novos leitos rapidamente todos os dias e o gerenciamento dessa área da Saúde Pública tem sido exemplar em BH até aqui. Como já temos 300 leitos de UTI ocupados com COVID hoje na cidade, continuar com 40% de aumento nas próximas semanas seria ter que criar 120 leitos novos por semana, ou seja, quase 20 leitos todo dia, enquanto não conseguirmos abaixar esse números. Os leitos privados ainda têm folga atualmente (ocupação acima de 50%) mas nesse ritmo podemos ter problema também nessa área em duas ou três semanas, mais cedo se forem contratados leitos privados pelo SUS, como seria normal.

Existe um problema também com insumos e tem faltado sedativos e bloqueadores neuromusculares usados para sedar os pacientes graves no ventilador. Esses medicamentos têm faltado em todo mercado no Brasil e ontem a situação era crítica em BH, exigindo adaptações rápidas com drogas eficazes mas que não seriam a primeira alternativa.

Vamos passar por um período difícil e as pessoas que pegarem COVID hoje e nas próximas semanas não podem mais se sentir seguras de que haverá leito de terapia intensiva daqui há 12 dias quando precisariam de UTI se derem o azar de estarem entre os 5% de pacientes que precisam de terapia intensiva. Ou seja, mais do que nunca, é importante não pegar a doença agora. Se cuidem mais ainda e cuidem das pessoas próximas.”

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