Privatizar não é a solução. Água é um bem público e de todos!

Por Humberto Lemos, presidente do Sintsama-RJ

Grande parte da mídia continua vendendo a ideia de que a privatização é a solução para todos os males provocados pelas empresas públicas. Querem passar uma falsa sensação de que uma empresa privada poderia atuar melhor e oferecer um serviço de qualidade. Nada mais falso do que isso e os exemplos são inúmeros! Ainda está na lembrança de todos o caso da Vale com a tragédia em Brumadinho. 

A pandemia que estamos vivendo deixou claro quem realmente atua nestas horas de calamidade. No Brasil, graças aos estudos do Instituto Butantã e da Fiocruz – duas entidades públicas – está sendo possível produzir vacinas para combater a Covid-19. Aliás, vacinas que no país inteiro são aplicadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), são esses profissionais do sistema público que têm levado a vacina para todos os brasileiros, nos lugares mais longínquos, até mesmo por barcos e estradas de terra, chegando nas aldeias indígenas mais afastadas.  

A situação da água não é diferente. Os países que venderam esse bem tão precioso, têm retomado o controle da água, pois nestes lugares o serviço piorou e o custo aumentou, deixando as famílias mais pobres sem o direito à água. Isso aconteceu em diversas cidades, como Berlim, Paris, Budapeste (Hungria), Bamako (Mali), Buenos Aires, Maputo (Moçambique) e La Paz (Bolívia). Neste último país, vale citar a grande mobilização popular que nacionalizou a água e expulsou a empresa estrangeira que havia tomado o controle da água. 

Mas por que querem privatizar a Cedae? Temos visto uma grande campanha midiática contra a companhia, sem aprofundar realmente quem são os culpados. Recentemente vimos a mortandade de peixes e a sujeira na região das praias da Região de Guaratiba, na Zona Oeste, especialmente na Baía de Sepetiba, porém em nenhum momento foi dito que esta região é atendida por uma empresa privada e não pela Cedae. 

O problema do esgoto na Zona Oeste, região da AP5, é de conhecimento da mídia, dos políticos, do judiciário, do Ministério Público, das associações comerciais, industriais e das administrações regionais.  Todos sabem que ali o serviço é prestado por uma concessionária privada. Mas parecem fechar os olhos para isso.  

Querem confundir a população e jogar tudo como culpa da Cedae. Cadê a prefeitura do Rio que não fiscaliza? Isso mostra que a privatização não funciona. E agora querem vender toda a Cedae, aplicando este mesmo modelo da Zona Oeste. Querem usar a Cedae como modelo para a privatização da água em todo o Brasil, essa é a proposta de Bolsonaro e Paulo Guedes para atender aos interesses das empresas estrangeiras, vendendo um bem tão precioso para o povo. 

Não vamos ficar calados! Vamos continuar alertando a população para os riscos que a privatização da água poderia trazer: serviços ruins, aumento do preço da água, provocando a volta de diversas doenças hídricas.  

A solução para o Rio de Janeiro é, através da Cedae pública, garantir mais investimentos, fazendo parcerias com os municípios, para levar água de qualidade e tratar do esgoto, resguardando a saúde da nossa população. 
 
Água é vida, não é mercadoria!
Por uma Cedae pública, estatal e indivisível!

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