Metalúrgicos de Caxias do Sul intensificam luta por valorização

Na tarde da quarta-feira (09), a direção do Sindicato dos Metalúrgicos de Caxias do Sul esteve na Marcopolo Ana Rech para informar os cerca de 2.500 trabalhadores do segundo turno sobre o andamento da Campanha Salarial 2014 e esclarecer sobre a crise inventada pelos empresários. A assembleia também teve o intuito de conscientizar a categoria da importância da união, mobilização e de quem dá a palavra final no dissídio são os trabalhadores.

“O dissídio é um momento importante para a categoria. Hora de lutarmos por valorização. Por isso estamos aqui informando os trabalhadores dos passos que foram tomados e ouvindo quem decide os rumos de uma campanha, que são os trabalhadores”, destaca o diretor Jorge Rodrigues.

Durante a assembleia o presidente em exercício do sindicato, Luis Carlos Ferreira salientou que as reivindicações dos metalúrgicos são justas e que chegou a hora de aumentar a pressão e intensificar a luta. “Os trabalhadores querem aumento real e melhorias nas cláusulas sociais. Os metalúrgicos de Caxias são a melhor mão-de-obra do mundo, mais qualificados, porém, com os menores salários, por isso muitas empresas querem vir pra cá. A postura gananciosa dos patrões não dá sinal de valorização. Além disso, inventam uma crise que não existe, e os trabalhadores sabem disso. É a unidade e a luta da categoria junto com o sindicato que vai dobrar os patrões e garantir a valorização que os metalúrgicos merecem”, destaca.

No dia 21 de julho, às 10 horas será realizada uma assembleia geral com os trabalhadores para decidir os rumos da Campanha Salarial 2014.

Na visão do Sindicato, “Valorizar o trabalhador é fortalecer o Brasil”, slogan da campanha deste ano. Este é o caminho. Os patrões, quando fazem coro com aqueles que dizem que o trabalhador ganha demais e que há até muito emprego no Brasil, estão na contramão.

Para o Brasil seguir em frente, com mais desenvolvimento, é preciso valorizar a renda dos trabalhadores. Com mais salário e direitos, os metalúrgicos – que somam cerca de 60 mil – garantem mais bem-estar e qualidade de vida para as suas famílias e movimentam a economia de Caxias e da região. O comércio e os serviços ganham e gera-se mais empregos em outros setores.

Principais reivindicações dos metalúrgicos:

13,5% – O índice é baseado na inflação dos últimos 12 meses e no crescimento registrado pelas empresas.

Piso único de R$ 1.500 – para valorizar o salário médio da categoria e inibir os malefícios da rotatividade.

40 horas semanais sem redução de salários –  para gerar mais oportunidades de empregos no setor e dar mais tempo para o lazer, a qualificação profissional e para a família do trabalhador.

Transporte e alimentação subsidiados – As empresas é que devem custear a alimentação e o deslocamentos dos trabalhadores de casa para o trabalho e vice-versa. Quanto custa para o metalúrgico tudo isso? No salário são descontados transporte, alimentação, plano de saúde, taxas bancárias, etc. Temos que refletir sobre o que deixamos para as empresas. Através das cláusulas sociais podemos diminuir esses descontos, ou seja, ganhar mais.

Auxílio-creche para crianças de até 6 anos – Este deve ser um direito da criança, para que pais e mães possam ficar tranquilos com seus filhos bem cuidados enquanto eles trabalham.

Igualdade salarial entre homens e mulheres no caso de mesma função – Trabalho igual, salário igual.

Auxílio-lanche para estudantes – Um grande número de trabalhadores também são estudantes. As empresas devem conceder um lanche para os estudantes ao fim do expediente.

Mensalistas – Os trabalhadores contratados nesse regime trabalham 5 dias por ano de graça para os patrões. A reivindicação é de que todos os trabalhadores mensalistas sejam contratados como horistas.

Intervalos de 15 minutos a cada 2 horas trabalhadas conforme a Norma Regulamentadora 15 – Os metalúrgicos reivindicam intervalos de 10 minutos a cada 2 horas de trabalho. Nesse tempo, o trabalhador poderá descansar, fazer um lanche e ir no banheiro.

Aplicação da NR 12 em todas as fábricas – A Norma Regulamentadora 12 (NR12), hoje assegurada pelo Ministério do Trabalho, estabelece as garantias mínimas de proteção ao trabalhador e normas de segurança para operação de elevadores, guindastes, transportadores industriais e máquinas transportadoras. Esta conquista está ameaçada por setores empresariais que consideram o lucro mais importante que a vida do trabalhador.

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