Investimento em conta-gotas força racionamento de água em São Paulo

Está cada vez mais real a possibilidade de racionamento de fornecimento de água no estado de São Paulo. “A situação está caótica porque o governo paulista está mais preocupado em se autopromover que investir em projetos para ampliar o abastecimento de água no estado”, avalia Rene Vicente dos Santos, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Sintaema). Para ele, “o governador Alckmin investiu basicamente na expansão da rede de distribuição de água e de captação de esgoto, que apresentam retorno imediato”.

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) promove campanha com proposta de desconto de 30% na conta de água para a quem economizar 20% do consumo médio mensal. Segundo a Sabesp há casos onde o desconto pode chegar em 48%. “Esse desconto não resolve nada porque privilegia as pessoas com maior poder aquisitivo”, revela Santos. Segundo ele, o governo do estado tem conhecimento da ocorrência dessa estiagem tão longa desde outubro, por isso, “o racionamento já deveria ter começado nessa época. O racionamento é uma necessidade desse momento, mas teria que ser para todos e não opcional como a Sabesp está colocando por causa do ano eleitora. E assim privilegia aqueles que têm como reduzir seu consumo”.

Para o presidente do Sintaema, “o governo paulista aposta na sorte e reza para chover nos próximos dias. Mesmo assim, o racionamento poderá ser necessário devido à estiagem”. Mas Santos é enfático ao afirmar que “a Sabesp deveria investir na proteção dos mananciais para prover melhor o abastecimento de água e também abastecer a região com outras bacias hidrográficas. Poderia trazer água do Vale do Ribeira (SP) para complementar a Represa Guarapiranga e Represa Billings”, acentua.

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O reservatório do Sistema Cantareira, que abastece parte da Grande São Paulo, com capacidade para atender 9,8 milhões de pessoas, está com 21% de sua capacidade e a tendência é diminuir nos próximos dias se a estiagem se prolongar. “o governo Alckmin abandona o sistema de abastecimento de água e sucateia a Sabesp. Investe somente na sua imagem e no que pode gerar lucro mais imediato, sem pensar na população, essencialmente a mais carente, onde os serviços públicos estão menos presentes”, ataca Santos.

Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

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