Hydro Alunorte comete práticas antissindicais

Não é de hoje que o sindicato dos Químicos de Barcarena denuncia práticas antissindicais na Hydro Alunorte. Em março de 2017, durante a viagem do presidente Gilvandro Santa Brígida à Oslo, o mesmo apresentou relatório que apontava vários casos de constrangimento e marginalização de dirigentes sindicais. Denunciou a demissão arbitrária do diretor Jhonny Mackley dos Santos.


Em 1º de julho de 2019, outra arbitrariedade foi a punição do diretor Taumaturgo. Apesar da solicitação de uma reunião com o vice-presidente e os representantes dos trabalhadores no conselho de administração da Norsk Hydro, a entidade não foi ouvida. O descaso com a reclamação do sindicato foi o sinal para a Hydro Alunorte cercear a liberdade sindical dos diretores Gilvandro Santa Brígida e Manoel Paiva, presidente e secretário geral do sindicato respectivamente. A empresa impediu a entrada dos diretores e condicionou o acesso dos dois diretores somente com a autorização do gerente do RH da empresa, inclusive com o bloqueio do crachá funcional dos diretores citados acima.


Gilvandro e Manoel Paiva, antes de serem sindicalistas, são funcionários há vinte cinco anos na Hydro Alunorte, ajudaram a construir a empresa e merecem respeito, não devem serem tratados como marginais, principalmente quando estes foram protagonistas de muitas ações em defesa do fim do embargo da empresa.


As práticas antissindicais adotadas pela empresa fazem parte de um movimento que expressa uma política que busca desestabilizar a atuação da organização dos trabalhadores e trabalhadoras nos seus espaços de representação, uma prática que não condiz com os altos e avançados valores que a Norsk Hydro subscreve em acordos, tratados e normas como a SA 8000.


Foi constatado que não se trata de questão pontual ou ocasional, mas de uma prática sistêmica, fortemente institucionalizada e de caráter persistente, e, sobretudo, dentro do quadro funcional do alto staff da Hydro Alunorte, de onde se esperaria a corporificação dos valores da empresa. É exatamente nos quadros gerencial que observamos atônitos a renúncia e o desprezo daquilo que a empresa diz ser seus fundamentos.

A empresa é detentora de inúmeras certificações, entre elas a SA 8000, defende ardorosamente seu código de condutas e compliance. A Noruega e o Brasil são signatárias das convenções 87,98,111 e 135, elaboradas pela organização internacional do trabalho – OIT, bem com as diretrizes preconizadas pela organização para a cooperação e desenvolvimento econômico – OCDE. Se a Norsk Hydro defende todas as verdades citadas acima porque age como estivesse na idade média? Por que não respeita o Artigo 2º da convenção 135, ratificada pelo estado brasileiro em 18 de janeiro de 1990 que diz: Na empresa devem ser estabelecidas facilidades aos representantes dos trabalhadores, de forma a permitir-lhes desempenharem rápida e eficazmente as suas funções.

O sindicato dos Químicos espera uma resposta rápida do conselho de administração para estas atitudes que ferem de morte a liberdade sindical na Hydro Alunorte. A entidade reitera ainda que será resistência a quem tentar prejudicar os direitos coletivos, tentar restaurar o autoritarismo e retirar a voz dos trabalhadores. As condutas antissindicais são os meios utilizadas, e cabe ao sindicato aos trabalhadores combater tais condutas.

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