Em reunião, professores/as relatam exaustão e temem retorno presencial

No último sábado, 24/4, o Sindicato dos Professores de Minas Gerais (Sinpro Minas) realizou uma reunião virtual com professores e professoras para abordar a decisão de volta às aulas presenciais da educação infantil, anunciada pela prefeitura de Belo Horizonte, na última semana. Participaram cerca de 250 professores/as de Belo Horizonte e outras cidades, que tiveram o anonimato preservado.

Um dos objetivos da reunião foi comunicar a categoria sobre o posicionamento do Sinpro Minas diante da decisão do retorno presencial. Foi informado que, no caso de Belo Horizonte, o departamento jurídico, com base em informações científicas e em critérios de segurança da categoria e da comunidade escolar, entrou com uma ação na última terça-feira, 20/4, contra o retorno presencial. Em outras cidades, como no caso de Uberaba, o sindicato tem realizado negociações com órgãos competentes e acionado diretamente as escolas que têm descumprido os protocolos sanitários.

Assim como tem sido comum em outras reuniões virtuais, os/as professores/as compartilharam que estão exaustos e relataram a cerca da sobrecarga de trabalho neste último ano. Adaptação às novas metodologias, fusão de turmas, aumento do trabalho extraclasse são desafios que já fazem parte do cotidiano da categoria. Mas, mesmo diante de tantas dificuldades colocadas com o ensino remoto, muitos/as professores/as declararam o medo de retornar às escolas. “O trabalho dos professores dobrou, temos trabalhado muito mais em casa! O trabalho é maior, mas a segurança também! Pois as pessoas irresponsáveis, que não se cuidam, podem colocar minha vida em risco! Que absurdo! #PrimeiroVacina”. Esse foi um dos comentários, que revela um desejo de que a vacinação prioritária de professores/as seja critério para um retorno seguro.

Protocolos questionados

Um ponto importante debatido na reunião foi com relação à eficácia de protocolos, sobretudo na educação infantil, em que é extremamente difícil garantir que as crianças sigam as medidas. Além disso, houve relatos de escolas que vão voltar com um número de alunos por turma acima do estipulado pelo protocolo da prefeitura. O cumprimento das normas sanitárias e o acesso aos equipamentos de proteção também foram questionados. “O protocolo das escolas, na verdade, não funciona, é muito bonito no papel, mas entre as colegas de trabalho sabemos que as medidas são relativizadas, principalmente na Educação Infantil. A disponibilidade de material de higiene é contida. E não há um controle conforme informam sanitariamente. Se um mosquitinho (pessoa em segredo) pudesse estar na escola, veria que não funciona”, relatou um/a professor/a.

Essa é justamente uma das críticas que o Sinpro Minas faz à eficácia dos protocolos. “No papel, podemos listar tudo que é essencial para garantir a segurança. Mas precisamos trabalhar com a realidade, com o contexto em que os/as trabalhadores/as e estudantes estão. Vários estudos científicos têm nos mostrado que a escola é um dos espaços mais propícios à quebra desses protocolos. Não podemos aceitar, precisamos seguir em defesa da vida”, afirma Valéria Morato, presidenta do Sinpro Minas.

“Estou passando por muitas angústias e problemas psicológicos pela pandemia. Precisando de ajuda pois qualquer coisa que acontece, sinto que estou com Covid, sinto que vou passar para as pessoas próximas de mim. Com o retorno presencial, principalmente, esses transtornos vão piorar. A justificativa que escutamos, é que tudo foi aberto: bares, restaurantes, shoppings, etc. Foi sim, mas tudo isso é opcional, você vai por vontade e não por obrigação. E na educação não, os professores são obrigados a voltar (E eu por exemplo, não quero voltar agora. Não sem @a vacina)”. Esse foi um relato que demonstra mais uma dificuldade enfrentada pela categoria nestes tempos: o impacto na saúde mental, em um contexto de tantos medos e inseguranças.

Unidade e luta pela vida

A reunião foi um espaço em que professores/as relataram o medo de expor denúncias e perderem seus empregos ou sofrerem retaliações.

Mesmo em um contexto de fortes ataques à categoria e, consequentemente, ao sindicato, o Sinpro Minas reafirma a importância de manter os espaços legítimos de organização da categoria. “Mesmo virtualmente, essas reuniões são nossos espaços de troca e escuta, para fortalecer nossa posição e luta. Ainda que com tantos ataques às nossas redes, infiltrados e estratégias para minar nossa organização, seguiremos fortalecendo a unidade da categoria”, afirma Valéria Morato.

No caso de Belo Horizonte, a categoria foi orientada a acompanhar o andamento da ação judicial. Caso seja negada, a proposta é realizar uma assembleia, com indicativo de greve sanitária. “Chamamos de greve sanitária, porque a categoria pode se negar a ir presencialmente, por segurança, em defesa da vida. Mas é uma categoria que tem sofrido na pele a sobrecarga do trabalho neste último ano e ainda sim estamos dispostos a seguir com o trabalho remoto. Não podemos aceitar que mesmo com tanto esforço, nossas vidas não sejam respeitadas”, afirmou Valéria.

O Sinpro Minas reforça a importância de saber quais têm sido as dificuldades enfrentadas pela categoria. Para encaminhar denúncias sobre irregularidades das escolas envie email para [email protected] As identidades dos/as professores/as são resguardadas pelo sindicato.

Fonte: Sinpro Minas

Foto: Reprodução/Amanda Perobelli /Reuters

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