Em ato na CEDAE, trabalhadores pedem demissão de Hélio Cabral

A CTB-RJ, em conjunto com o Sintsama-RJ, as Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, além de outras entidades, realizou um ato na manhã desta terça-feira (28), na sede da CEDAE. O motivo do protesto foi a baixa qualidade da água que tem sido entregue à população numa crise que, segundo os manifestantes foi fabricada para a venda da empresa.

Diversos parlamentares participaram da atividade convocada pelos movimentos sociais. O Deputado Federal Paulo Ramos (PDT) denunciou que a crise faz parte de uma manobra para vender a estatal:

“Estão tentando jogar a opinião pública contra a CEDAE. A qualidade da água produzida pela CEDAE não só sempre foi boa, mas também sempre foi monitorada antes da distribuição. Não é possível que o presidente da empresa tenha sido surpreendido porque a água, quando ela sai, ela é monitorada. Esse ato foi um ato deliberado. A Assembleia Legislativa tem o dever de apurar esse crime contra a população, que faz parte do projeto de privatização.” – disse o pedetista.

A Deputada Estadual Enfermeira Rejane (PCdoB), presente no ato, anunciou que está colhendo assinaturas para a instalação de uma CPI sobre o tema e chamou de estelionato eleitoral a postura do governador com relação à CEDAE:

“Considero um estelionato eleitoral o que o governador está fazendo. No dia 1º de janeiro, quando tomou posse, o governador disse que não ia privatizar a CEDAE e, infelizmente, um ano foi o suficiente para que ele mudasse de posição, ingressando no esquema corrupto da venda dessa empresa que há muito tempo lutamos para que não seja entregue para a iniciativa privada. Nosso mandato vai atuar imediatamente nessa questão porque a população não pode ser sacrificada do jeito que está. Nós já estamos colhendo assinaturas para instaurar uma CPI, de modo que possamos desvendar essa caixa preta. O Governador, através do Presidente da CEDAE, Hélio Cabral, demitiu mais de 56 técnicos, pessoas com nível superior e que atuavam dentro da empresa. Demitem os funcionários, demitem os técnicos, para fazerem isso e depois venderem a empresa a preço de banana. Nós vamos apurar isso. A população não pode ser afetada dessa forma. É urgente o afastamento do Hélio Cabral da presidência da CEDAE.” – disse a deputada.

A Deputada Federal Jandira Feghali endossou o coro contra a privatização, defendeu a água como um bem público e criticou o novo marco legal do saneamento aprovado no Congresso Nacional:

“Já não é de agora que eles tentam privatizar a CEDAE. A luta no Congresso vem de anos, contra a tentativa de mudar a legislação para que, não só essa empresa, mas muitas empresas brasileiras, fossem pra mão exclusiva do mercado. Infelizmente, a lei que foi aprovada no Congresso é uma lei inconstitucional, que viola contratos em vigor e uma série de regulações legais atuais. Aqui no Rio, agregou-se, aparentemente, pelas provas que o próprio governo vem admitindo, um boicote. Se desqualificou a água, num total descompromisso com a saúde do povo (que não vale nada para esses gestores), para facilitar sua privatização. Essa luta é fundamental. Precisamos seguir lutando para evitar essa privatização, apesar das mudanças legislativas, porque água, pela constituição é bem da união e nós precisamos manter esse bem nas mãos do Estado para que possamos provê-lo a toda sociedade. Água, definitivamente, não é e nem pode ser tratada como mercadoria.” – defendeu a deputada comunista.

O Presidente da CTB-RJ, Paulo Sérgio Farias, também seguiu a mesma linha. Trabalhador da CEDAE, Paulo Sérgio lembrou que não é de hoje que governos tentam privatizar a empresa.

“É bom a gente registrar que essa luta que estamos fazendo em 2020, ela não começou em 2020. Em 1995, uma onda privatista varreu o Estado. O Governo Marcelo Alencar entregou todas as estatais à iniciativa privada, fazendo com que os serviços públicos no Rio de Janeiro se transformassem no que vivenciamos hoje. Não funcionam as Barcas, não funcionam os trens e não funciona o metrô. A CEDAE resistiu a esse processo, mas todos esses anos, todos os governos que passaram no Estado, tiveram a clara intenção de diminuir o papel dessa empresa. Nem mesmo Garotinho, que foi eleito em 1998, numa frente popular, escapou dessa agenda, tentando privatizar a área mais rentável da CEDAE em 2001, o que nós impedimos com muita mobilização.”

O Cetebista creditou aos trabalhadores a resistência contra as ofensivas privatistas e pediu a demissão do Presidente da CEDAE, Hélio Cabral, lembrando que ele não autorizou o procedimento indicado pelos técnicos para evitar a crise.

“Durante todos esses anos, nós, trabalhadores da CEDAE, estivemos resistindo para que esse patrimônio não fosse entregue ao capital estrangeiro. Hoje, estamos assistindo mais um crime contra essa empresa. E, pior ainda, crime contra o povo do Rio de Janeiro. Milhões de pessoas sendo afetadas pela má qualidade da água fornecida pela CEDAE. Esse crime que aconteceu, é bom registrar, tem CPF e CEP. Os técnicos da CEDAE que restaram, aqueles que cuidam da qualidade da água no Guandu, insistiram em fazer o mesmo procedimento que sempre foi feito para evitar essa crise, mas foram desautorizados pela alta direção da companhia. Essa responsabilidade deve cair diretamente sobre o Presidente e seus dirigentes. “

Por fim, Paulo Sérgio também lembrou que a luta contra a Privatização da CEDAE não é uma luta isolada, fazendo parte de um leque de atos de resistência dos quais a CTB faz parte.

“Essa luta que a gente faz aqui na CEDAE é a mesma luta que a gente faz contra a privatização da Petrobrás, contra a privatização da Casa da Moeda, contra a privatização dos Correios, contra a privatização de todas as estatais que estão sob ameaça desse governo fascista do Bolsonaro.”

Fotos: Claudionor Santana – Sintsama/RJ

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