Educação mineira reflete inabilidade dos governantes e descaso de empresários

A educação de Minas Gerais vive um momento peculiar, com paralisações em redes municipais, estadual, e também no sistema privado. Os trabalhadores do ensino estadual estão em comando de greve, o que envolve 853 municípios. Já em Belo Horizonte, educadores decidiram, na tarde desta segunda-feira (5/4), continuar em greve por tempo indeterminado, apesar da multa de R$ 50 mil por dia, imposta pelo desembargador Eduardo Andrade, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).

Os professores da rede pública de Belo Horizonte iniciaram uma greve no dia 18/3. Segundo Eduardo Campinas, diretor de comunicação do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal (SindRede), é reivindicada a reposição das perdas salariais desde 1996, que chegam a 22,48%. Os educadores infantis também querem a equiparação salarial.

A greve continua, apesar de o prefeito Marcio Lacerda (PSB) ter conseguido a intervenção da justiça. “Lacerda repete a velha ação de tentar vencer pela força, ou pelo menos demonstrá-la. Mas isso não nos intimida”, declarou Eduardo Campinas.

Em Ribeirão das Neves, na região metropolitana da capital, também foi anunciada greve na educação, por tempo indeterminado. Por ironia, o prefeito Wallace Ventura (PSB) é servidor de carreira da rede de ensino. Mas não tem conseguido travar um diálogo.

Empresários também se recusam a negociar

Os professores da rede privada também decidiram continuar em estado de greve, estendendo a paralisação desta segunda-feira por tempo indeterminado. Assim como os trabalhadores da rede pública, sua mobilização denuncia a afronta à livre organização sindical.

Aproximadamente 1,5 mil professores participaram da assembleia nesta segunda-feira. A campanha reivindicatória denuncia a retirada de direitos. O Sinep, sindicato patronal, se recusa a oferecer aumento real. De acordo com o Sindicato dos Professores (Sinpro), os qüinqüênios ficariam limitados. Os empresários ainda pretendem aumentar a carga de trabalho, ao mesmo tempo que propõem reduzir a garantia salarial.

Leia matéria aqui

O presidente do Sinpro, Gilson Reis, destacou que o Sinep desmarcou a última reunião de negociação, na tentativa de opor a categoria ao sindicato. Para Gilson, a estratégia de desmobilização dos empresários reproduz um modelo opressor de educação, “não permitindo que professores se reúnam para discutir as condições de trabalho”.

Os trabalhadores realizam nova assembleia na terça-feira (6/4), na parte da tarde. Pela manhã, fazem um protesto na porta do sindicato patronal. De acordo com lista divulgada pelo Sinpro, as paralisações envolvem 294 municípios.

Minas não cumpre piso nacional

Os protestos contra a má qualidade da educação sempre foram contraponto às propagandas do tucano Aécio Neves, que se desincompatibilizou do cargo de governador no dia 31/3. A última manifestação dos servidores foi realizada no dia 16, no recém-inaugurado centro administrativo de Minas Gerais. O complexo arquitetônico é motivo de controvérsia, por ter consumido milhões, em detrimento do insatisfatório desempenho de Aécio em políticas de desenvolvimento social.

Mereceu destaque o forte esquema de segurança, ocultado pela mídia. Segundo o Rafael Calado, diretor do Sindicato Único dos Trabalhadores da Educação (SindUte) em Ibirité, os manifestantes foram recebidos por policiais “altamente preparados para o confronto”. Muitos estavam na cavalaria ou travestidos em coletes a prova de bala. Acompanhados por cães policiais, eles traziam nas mãos armas com balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo.

Ainda de acordo com Rafael Calado, a manifestação unificou servidores de todos os setores. Mas os professores reivindicam o cumprimento do piso nacional, já determinado por lei federal. Em Minas Gerais, o valor inicial seria de R$ 1.312, 85.

Os servidores da educação iniciaram estado de greve no dia 16/3. Uma paralisação geral está marcada para 8/4. Aécio Neves está entre os cinco governadores que entraram com Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin), questionando o piso nacional dos professores. O tema deve entrar na pauta do Supremo Tribunal Federal (STF) ainda no mês de abril.

Verônica Pimenta – Portal CTB

 


Compartilhar: