CTB-RS realiza 10º Semana de Prevenção das LER

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LER/Dort são as siglas para Lesões por Esforços Repetitivos e Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho. Duas enfermidades que se desenvolvem em decorrência de atividades laborais, afetando principalmente os membros superiores, como ombros, braços, cotovelos, punhos e mãos, e em alguns casos, a coluna vertebral e os membros inferiores. O quadro pode ficar ainda mais grave quando prejudica também o lado psicológico com simbologias negativas sociais, sofrimento psíquico, desestabilização profissional, entre outras consequências.

Por saber da gravidade do problema, a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB-RS) aproveitou a data 28 de fevereiro, Dia Internacional de prevenção das LER/Dort, e realizou, juntamente com outras entidades, a Semana de Prevenção das LER, que este ano está na décima edição. O evento que já é tradicional em Porto Alegre acontece, anualmente. Esta edição começou na segunda-feira (2/3) e se encerrou no final da tarde da última terça-feira (3/3) com uma série de palestras promovidas por médicos, auditores fiscais, psicólogos, advogados, juízes e procuradores. O objetivo deste ano é relatar o passado, presente e futuro das LER, abordando formas de prevenção e tratamento, dando atenção também à área jurídica, expondo como a lei ampara o trabalhador.

As atividades começaram com o painel “As LER – Ontem, hoje e amanhã”, que iniciou com a palestra do médico do trabalho, Sérgio Varnieri, abordando o tempo em que as lesões por esforços repetitivos começaram a chamar atenção da medicina. Era quase década de 80, quando o problema começou a ser percebido nos digitadores, que trabalham de seis a oito horas diárias ininterruptas, com aproximadamente 15 mil toques por hora em teclados bem mais duros se comparados com os de hoje, exigindo assim muito mais esforço do trabalhador. “Em 1986, quando estava começando a estudar essas lesões, atendi uma menina de 19 anos no posto de saúde onde trabalhava. Ela era digitadora de um banco e reclamava de dores nas costas no final do dia. Ao fazer alguns questionamentos, percebi que a moça sofria de LER. Este foi muito primeiro contato com a doença, na época ninguém falava sobre isso, e me motivou a buscar mais causas e prevenções”, relembrou.

Segundo o médico, dentre as principais medidas preventivas para as lesões e distúrbios estão pausas regulares ao longo do dia, o ideal é que para 50 minutos de trabalho, se pare 10 minutos, a fim de que a musculatura se reoxigene; melhoria dos postos de trabalho, com cadeiras reguláveis, mesas adequadas e boa iluminação. “Desde a década de 90, já há todas as condições necessárias para que se erradique as LER. Lamento que após 30 anos trabalhando nesta área ainda tenhamos que conviver com essa triste realidade”, lamentou Varnieri.

Em seguida foi a vez de outro médico do trabalho, representante do CEREST/POA, Paulo Fabris, que abordou as LER na atualidade, afirmando que a faixa etária mais atingida pela doença é dos 30 aos 40 anos. Entre os principais tipos estão tendinite e bursite. O último palestrante foi o auditor do trabalho, Paulo de Oliveira, que finalizou o painel fazendo uma previsão de como as LER serão abordadas no futuro. Segundo Oliveira, a tendência é os trabalhadores desenvolvam, cada vez mais, esse tipo de lesão, já que a sociedade trabalha de maneira doentia e com as facilidades da tecnologia não se desliga nunca das atividades laborais.

Vale lembrar que os principais sintomas físicos são dor, diminuição de força muscular, formigamento e dormência, sensação de peso no membro afetado, perda de controle de movimentos, choque e falta de firmeza nas mãos. Já os sinais psíquicos são distúrbios de sono, ansiedade, medos e incertezas, irritabilidade, desesperança, sentimento de culpa e tristeza.

Por Aline Vargas

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