CTB-MG: Ainda não é o momento de voltar às aulas

Sem vacinas e leitos de UTI suficientes, a pandemia avança no país. Em Minas Gerais a situação não é diferente. O Estado contabiliza quase 20 mil mortes. Em Belo Horizonte, os números também preocupam os especialistas. A ocupação de leitos de UTI na capital está em 65,5%. Apesar disso, a prefeitura estuda um retorno das aulas da educação infantil a partir da próxima semana.

A situação da rede particular também é preocupante. O índice de ocupação em UTI está em 77% em Belo Horizonte. Para piorar, o número de pacientes transferidos do interior para a capital é outra realidade.

A cobertura vacinal no Estado e na capital é ínfima, sendo de 2,35% e 4%, respectivamente. Como se vê, o momento ainda é grave. A discussão deveria ser em como acelerar a vacinação e garantir a continuidade do pagamento do auxílio emergencial.

A CTB-MG entende que retornar às aulas diante dessa realidade é colocar em risco a vida dos estudantes, seus familiares e, claro, dos (as) trabalhadores (as) da educação.

Essa também foi a avaliação dos (as) participantes da live “O retorno às aulas e protocolos de segurança” transmitida nessa segunda-feira pela CTB-MG. O encontro foi uma iniciativa da Secretaria de Formação da CTB-MG e reuniu mais de 400 pessoas de diversas regiões do estado.

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O evento teve a participação da coordenadora-geral do Sind-UTE, Denise Romano e da presidente da CTB-MG, Valéria Morato. A mediação foi da secretária Adjunta da CTB, Celina Arêas.

A coordenadora-geral do Sind-UTE iniciou a transmissão pedindo celeridade na vacinação. Denise Romano também criticou o governador Romeu Zema (Novo) por não investir o mínimo constitucional de 25% na saúde, conforme determina a Constituição.

Além da falta de recursos na saúde, a dirigente sindical denunciou a precariedade de muitas escolas no Estado que, segundo ela, não têm janelas. “Outras 1.100 não têm refeitórios”, alertou Denise.

Já a presidente da CTB-MG e do Sinpro-MG, Valéria Morato, disse que “a volta às aulas é fundamental, mas não nesse momento”. “Estamos com mais de 1000 mortes por dia no Brasil. A vida deve estar acima do lucro”, destacou ela.

Segundo Morato, “é um engodo achar que as escolas privadas podem retomar as aulas por atender os requisitos de higiene e segurança. No ensino superior, faltam copos e papel higiênico”, disse ela.
Quanto ao ensino infantil, ela questionou: “Como um professor vai controlar uma turma com 15 crianças de quatro anos? Quem defende isso não conhece a realidade de uma sala de aula”, afirmou a presidente da CTB-MG.

Protocolos de segurança

Os(as) participantes também concordaram que os protocolos de retorno às aulas não podem ser meramente sanitários. É preciso que se leve em conta questões trabalhistas e salariais.

A presidente da CTB-MG e do Sinpro-MG, Valéria Morato, lembrou ainda que a entidade dispõe de uma liminar que impede o retorno às aulas. “Entraremos na justiça caso seja descumprida” avisou ela.

Em São Paulo, a professora Maria Tereza Miguel Couto de Lourenço, de 32 anos, morreu no último sábado (20) em decorrência da covid-19. Ela foi a primeira vítima no Estado depois da volta às aulas.

O Sindicato dos Professores de São Paulo (Apeoesp) afirma que já são 851 casos confirmados, em 456 escolas. Oficialmente, o governo João Dória (PSDB) registrou 741 casos confirmados e 1.133 casos suspeitos, nas redes públicas e privada, até o último dia 17.

Até o momento, já morreram quase 250 mil pessoas no Brasil por covid-19. O Brasil ocupa o triste terceiro lugar em número de mortes, atrás apenas dos EUA e Índia.

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