Campanha salarial dos metalúrgicos de Caxias do Sul (RS) continua forte

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A jornada de lutas do Sindicato dos Metalúrgicos de Caxias do Sul e Região, do Rio Grande do Sul, mantém o ritmo intenso iniciado na semana passada. Na manhã desta segunda-feira (14) o sindicato realizou assembleias simultâneas nas portas das empresas Marcopolo Planalto e na unidade do Distrito Industrial da Agrale. A categoria está sendo mobilizada para participar da assembleia geral que acontece na próxima sexta-feira (18) quando serão definidos os rumos da campanha a partir de agora, já que o Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul (Simecs) mantendo sua postura intransigente, levou o dissídio para o Judiciário, lavando as mão na busca de um acordo coletivo.

“A mesma postura de não buscar um entendimento coletivo aconteceu no verão quando tivemos problemas com as condições de trabalho comprometidas por causa do calor intenso. O Simecs simplesmente lavou as mão na busca conjunta de uma solução para o problema. Conquistamos avanços negociando empresa por empresa e essa será a nossa proposta para o dissídio deste ano: negociar os avanços nas cláusula sociais e aumento real de salário com cada empresa”, destacou o presidente em exercício do Sindicato, Luis Carlos Ferreira, o Luizão, para os cerca de 700 trabalhadores do turno da manhã da Marcopolo Planalto.

Além disso, Luizão e outros membros da diretoria do Sindicato, discorreram sobre as estratégias da classe patronal para desmobilizar e intimidar a categoria metalúrgica este ano, como a crise forjada para justificar uma proposta vergonhosa de apenas repor a inflação, sem aumento real, e nenhum avanço nas cláusulas sociais.

“A proposta apresentada pelo Simecs é uma ofensa aos trabalhadores metalúrgicos. Agora é o momento de união. Precisamos da unidade para construir o nosso objetivo que é a valorização de quem constrói a riqueza dessa cidade. Unidos somos mais fortes e não existe vitória sem luta”, disse Luizão, ao convocar a presença de todos para realização de uma grande assembleia geral na sexta-feira.

Trabalhadores da Neobus e da Agrale mobilizados

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Para encerrar a semana de intensa mobilização pelos direitos dos trabalhadores, na tarde desta sexta-feira, 12, a direção do sindicato esteve na Agrale e na San Marino Neobus para informar os trabalhadores dos turnos da tarde e noite sobre o andamento da Campanha Salarial 2014, os passos dados e esclarecer a crise inventada pelos patrões para desestabilizar a categoria. As assembleias tiveram o intuito de conscientizar os metalúrgicos da importância do dissídio e de que é preciso união. Além disso, a categoria foi convocada para a assembleia geral que será realizada no dia 18 de julho às 10 horas no sindicato para decidir os rumos da campanha.

“Não vamos ceder à chantagem patronal. O dissídio é um momento importante para a categoria. Hora de lutarmos por valorização. Graças à dedicação e ao empenho dos metalúrgicos, as empresas de Caxias vão muito bem. Agrale, Marcopolo e Randon cresceram em 2013, e não poderiam se queixar. A San Marino está ‘bombando’ com os BRTs. Que crise é essa?” questiona o presidente em exercício do sindicato, Luis Carlos Ferreira.

O diretor do sindicato, Antonio Carlos Santos, salientou que a crise quem enfrenta são os trabalhadores e não os patrões. “Nenhuma empresa vai quebrar por dar aumento real e valorizar o trabalhador. O que eles querem é seguir lucrando as nossas custas. Somos mão de obra qualificada, mas barata. Querem nos explorar. A crise é o trabalhador que enfrenta todo dia dentro e fora das fábricas sem valorização e respeito.”

Valorização para os metalúrgicos faz bem à sociedade: é pra frente que se anda!

Na visão do Sindicato, “Valorizar o trabalhador é fortalecer o Brasil”, slogan da campanha deste ano. Este é o caminho. Os patrões, quando fazem coro com aqueles que dizem que o trabalhador ganha demais e que há até muito emprego no Brasil, estão na contramão.

Para o Brasil seguir em frente, com mais desenvolvimento, é preciso valorizar a renda dos trabalhadores. Com mais salário e direitos, os metalúrgicos – que somam cerca de 60 mil – garantem mais bem-estar e qualidade de vida para as suas famílias e movimentam a economia de Caxias e da região. O comércio e os serviços ganham e gera-se mais empregos em outros setores.

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Principais reivindicações dos metalúrgicos:

13,5% – O índice é baseado na inflação dos últimos 12 meses e no crescimento registrado pelas empresas.

Piso único de R$ 1.500 – para valorizar o salário médio da categoria e inibir os malefícios da rotatividade.

40 horas semanais sem redução de salários – para gerar mais oportunidades de empregos no setor e dar mais tempo para o lazer, a qualificação profissional e para a família do trabalhador.

Transporte e alimentação subsidiados – As empresas é que devem custear a alimentação e o deslocamentos dos trabalhadores de casa para o trabalho e vice-versa. Quanto custa para o metalúrgico tudo isso? No salário são descontados transporte, alimentação, plano de saúde, taxas bancárias, etc. Temos que refletir sobre o que deixamos para as empresas. Através das cláusulas sociais podemos diminuir esses descontos, ou seja, ganhar mais.

Auxílio-creche para crianças de até 6 anos – Este deve ser um direito da criança, para que pais e mães possam ficar tranquilos com seus filhos bem cuidados enquanto eles trabalham.

Igualdade salarial entre homens e mulheres no caso de mesma função – Trabalho igual, salário igual.

Auxílio-lanche para estudantes – Um grande número de trabalhadores também são estudantes. As empresas devem conceder um lanche para os estudantes ao fim do expediente.

Mensalistas – Os trabalhadores contratados nesse regime trabalham 5 dias por ano de graça para os patrões. A reivindicação é de que todos os trabalhadores mensalistas sejam contratados como horistas.

Intervalos de 15 minutos a cada 2 horas trabalhadas conforme a Norma Regulamentadora 15 – Os metalúrgicos reivindicam intervalos de 10 minutos a cada 2 horas de trabalho. Nesse tempo, o trabalhador poderá descansar, fazer um lanche e ir no banheiro.

Aplicação da NR 12 em todas as fábricas – A Norma Regulamentadora 12 (NR12), hoje assegurada pelo Ministério do Trabalho, estabelece as garantias mínimas de proteção ao trabalhador e normas de segurança para operação de elevadores, guindastes, transportadores industriais e máquinas transportadoras. Esta conquista está ameaçada por setores empresariais que consideram o lucro mais importante que a vida do trabalhador.

 

Fonte: Sindicato dos Metalúrgicos de Caxias do Sul e Região
Fotos: Fabíola Spiandorello e Daniela Teixeira

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