A maioria dos bilionários brasileiros é do sistema financeiro

O caráter parasitário do capitalismo brasileiro transparece num ranking elaborado pela revista Forbes sobre os bilionários do nosso pobre país, divulgado nesta segunda-feira (30) pela Uol. A maior parte dos brasileiros com mais de R$ 1 bilhão de patrimônio é do setor financeiro, segundo a revista.

Dos 206 que aparecem no ranking, 48 são do setor financeiro, com um patrimônio total de R$ 345,97 bilhões, uma afronta à consciência nacional quando constratado à pobreza e miséria que castigam dezenas de milhões de trabalhadores e trabalhadoras.

Na sequência, aparecem o setor de atacado e varejo, com 29 bilionários, e de alimentos e bebidas, com 27. A indústria tem 18 bilionários e capitalistas de outros ramos de produção também integram a lista.

O empresário Jorge Paulo Lemann, em foto de novembro de 2013 — Foto: Felipe Rau/Estadão Conteúdo/Arquivo

O banqueiro e investidor Jorge Paulo Lemann (foto) ocupa o topo da lista pelo sétimo ano seguido. Detém, sozinho, um patrimônio de R$ 104,71 bilhões, de acordo com a revista. A proeminência do rentismo reflete a deformação do capitalismo brasileiro, que incentiva os investimentos improdutivos e alimenta a privatização. Durante os últimos quatro anos, enquanto o conjunto da economia amargava os efeitos de dois anos de recessão e dois de virtual estagnação (fechando o balanço no vermelho ou com rentabilidade em queda) os lucros apropriados pelos banqueiros continuaram subindo, batendo recorde sobre recorde, à custa do erário público (sangrado pelo pagamento religioso dos juros da dívida pública) e dos clientes, sujeitos a tarifas elevadas e taxas de juros dignas de agiotas.

Cinco bilionários brasileiros concentram renda equivalente ao da metade mais pobre da população brasileira, conforme estudo da Oxfam. A gritante desigualdade entre os filhos da pátria, face mais perversa do capitalismo que remete aos tempos da Casa Grande, é a grande corrupção que grassa em nossa dilacerada sociedade e passeia mascarada (de meritocracia), coberta de imoralidade e impunidade.

Umberto Martins

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