Saída de dólares é pior da série histórica e revela falta de confiança na economia

A frustração com a participação de petroleiras internacionais no leilão dos excedentes da cessão onerosa enterrou a última chance de evitar que o fluxo cambial no país encerre o ano de 2019 como o pior da série histórica. Na contramão da retórica de Paulo Guedes e Bolsonaro, os capitalistas estrangeiros aumentaram a retirada de dólares investidos no Brasil, evidenciando a falta de confiança na economia e no desastrado governo da extrema direita.

Em outubro, o fluxo ficou negativo em US$ 8,49 bilhões, elevando o déficit no ano a US$ 21,46 bilhões. Esse número já é maior que os US$ 16,18 bilhões registrados em 1999, até então o pior ano da série histórica do Banco Central, iniciada em 1982. E a expectativa é que o saldo negativo cresça ainda mais, uma vez que os últimos meses do ano são sazonalmente marcados por uma saída mais intensa de divisas causada pelas remessas de lucros e ajustes de posição de multinacionais.

A sangria de dólares para o exterior é uma das causas da forte depreciação do real perante a moeda estadunidense, que está sendo cotado hoje a R$ 4,19. A alta do dólar tem efeitos contraditórios, pois de um lado favorece as exportações e, do outro, encarece e inibe importações, além de elevar o valor (em reais) das dívidas denominadas em dólares.

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