Ritmo de crescimento das vendas no varejo desacelera em setembro, informa IBGE

As vendas do comércio varejista continuaram em trajetória ascendente depois de despencarem no período mais intenso da pandemia do coronavírus (entre abril e junho), que resultou na paralisação da economia. O ritmo de crescimento, porém, caiu sensivelmente, para 0,6%, em setembro.

Leia abaixo a notícia divulgada nesta quarta-feira (11) pelo IBGE:

As vendas do comércio varejista cresceram 0,6% em setembro, quinta taxa positiva consecutiva desde maio. Apesar da trajetória de crescimento, o resultado indica uma desaceleração frente às altas dos meses anteriores – agosto (3,1%), julho (4,7%), junho (8,7%) e maio (12,2%). Em relação a setembro de 2019, o comércio cresceu 7,3%. 

As informações são da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada hoje (11), pelo IBGE.

“Trata-se de uma diminuição do ritmo de crescimento nos volumes do varejo nacional. A desaceleração é natural e representa uma acomodação, porque as quedas de março e abril foram muito expressivas, o que fez com que os meses seguintes de recuperação também tivessem altas intensas. A desaceleração é como se a série estivesse voltando à normalidade”, analisa o gerente da PMC, Cristiano Santos.

Com a variação de 0,6% em setembro, o patamar do comércio varejista, que já havia atingido nível recorde em agosto, continua em crescimento.

Santos também destaca o resultado forte do trimestre de julho a setembro. Em relação ao trimestre anterior, a alta foi de 17,2%, recorde da série história iniciada em 2000.

“Isso ocorreu, porque os trimestres anteriores apresentaram desempenho muito baixo: -1,9% no primeiro e -8,5% no segundo. Em relação ao terceiro trimestre de 2019, o aumento é de 6,3%, a maior alta desde 2014”, ressalta Santos.

Entre as oito atividades pesquisadas, cinco tiveram taxas positivas na comparação com agosto: Livros, jornais, revistas e artigos de papelaria (8,9%); Combustíveis e lubrificantes (3,1%); Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (2,1%); Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (1,1%) e Móveis e eletrodomésticos (1,0%).

Por outro lado, pressionando negativamente, figuraram três setores: Tecidos, vestuário e calçados (-2,4%); outros artigos de uso pessoal e doméstico (-0,6%); e hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0.4%).

Enquanto nos meses anteriores houve um peso forte de materiais de construção no varejo ampliado e de móveis e eletrodomésticos no varejo, em setembro, houve uma diversificação de altas de outros setores.

“A atividade de livros, jornais, revistas e artigos de papelaria, embora continue negativa em indicadores, como o acumulado do ano e nos últimos 12 meses, teve uma recuperação grande em setembro. Já a de Artigos farmacêuticos médicos, ortopédicos e de perfumaria teve uma trajetória claudicante nos últimos meses e em setembro chegou a 2,1%. Móveis e eletrodomésticos e Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação, continuam com crescimento. Parte desse desempenho pode estar relacionado à ida ao home office, embora já estejamos vivenciando a abertura”, explica Santos.

Hiper e supermercados são afetados pela inflação de alimentos

Já o setor de Hiper e supermercados está sendo impactado pela inflação de alimentos. De abril a setembro, o setor teve crescimento de 10,6% na receita, enquanto em volume, o ganho foi de 4,7% nesse período.

“A inflação de alimentos em setembro impactou bastante. Nos três últimos meses, os indicadores de receita do setor registram dois índices positivos, 2,1% em setembro e 0,5% em julho, e um negativo, -0,7% em agosto. Já os indicadores de volume foram todos negativos em setembro (-0,4%), agosto (-2,1%) e julho (-0,3%), o componente da inflação influencia os indicadores nos últimos três meses”, explica Santos.

Varejo ampliado cresce 1,2%, quinta variação positiva

O comércio varejista ampliado – que contempla Veículos e Materiais de construção – cresceu 1,2% em relação a agosto de 2020, quinta variação positiva consecutiva deste indicador. O setor de Veículos, motos, partes e peças registrou crescimento de 5,2% enquanto em Material de construção, o aumento foi 2,6%, ambos, respectivamente, após avanços de 8,3% e 3,6% no mês anterior.

O setor de Veículos está entre os que lideram as taxas negativas em 2020. No acumulado no ano (-18,1%), embora mostre ganho de ritmo, está no campo negativo desde março de 2020. Nos últimos 12 meses, ao registrar -11,6% até setembro, mostra perda de ritmo em relação ao acumulado até agosto (-10,7%). “Veículos, motos, partes e peças ainda está 9,3% abaixo do nível de fevereiro e é um dos setores que mais sofreu e que está demorando mais a tomar tração”, diz Santos.

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