Recuo nas vendas em dezembro põe em xeque recuperação da economia

Em dezembro de 2019 as vendas do comércio registraram queda de 0,1% em relação a novembro. O resultado interrompeu sete meses seguidos de modestos avanços e lança novas dúvidas sobre a recuperação da economia, que não cansa de ser anunciada e celebrada pelo governo e os partidários da política de restauração neoliberal. O cenário ainda é de estagnação.

Desde o golpe de 2016, com a reforma trabalhista e o congelamento dos gastos públicos, promete-se o fim do desemprego e um novo espetáculo do crescimento, mas as estatísticas teimam em desmentir o falso otimismo alardeado para justificar as reformas reacionárias que estão sendo impostas ao povo e à nação.

As estatísticas do IBGE

No acumulado de 2019, o comércio cresceu 1,8%, um resultado decepcionante, tendo em vista que o ramo amarga uma queda de mais de 10% desde 2015 e está ainda muito longe de recuperar as perdas. Os dados da Pesquisa Mensal de Comércio foram divulgados nesta quarta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A queda no desempenho da atividade de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, em 1,2%, foi a que mais influenciou no resultado, já que a atividade tem peso de 44% no total do varejo.

De acordo com o IBGE, o aumento do preço das carnes impactou o resultado final. Seis das oito atividades pesquisadas tiveram recuo nas vendas. As exceções foram Móveis e Eletrodomésticos, com crescimento de 3,4% e livros, jornais, revistas e papelarias, com alta de 11,6%.

A gerente da pesquisa, Isabella Nunes, destaca que o desempenho do comércio não se deu de forma homogênea ao longo do ano. Das 27 unidades da federação, 18 apresentaram resultados negativos nas vendas.

Roraima, Rondônia e Acre tiveram os piores desempenhos. Por outro lado, Rio Grande do Sul, Amapá e Rio de Janeiro lograram resultados positivos, enquanto Santa Catarina e Pernambuco mostraram estabilidade na passagem de novembro para dezembro.

O IBGE monitora também o comércio varejista ampliado, que além das outras atividades leva em conta o varejo relacionado a veículos, motos, peças e material de construção. Considerando esses setores, o recuo do comércio foi maior em dezembro: -0,8%.

Umberto Martins, com informações da EBC

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