Por que imprimir dinheiro?

“É preciso expandir a base monetária para socorrer pessoas, empresas, estados, municípios e fazer o que importa no momento: salvar vidas”, afirmou o diretor do Sindicato Nacional do Funcionários do Banco Central, Iso Sendacz. “Desta forma, empresas e pessoas vão sobreviver e ficar com dinheiro no bolso para consumir, estimulando a recuperação da economia”

Ele afirmou que a impressão de dinheiro neste momento não vai provocar inflação porque a economia brasileira vive um momento de deflação devido à crise econômica. De acordo com suas estimativas com uma expansão monetária em torno de R$ 650 bilhões o governo conseguiria salvar micro, pequenas e médias empresas, garantir a prorrogação da renda emergencial e ainda socorrer milhões de brasileiros e brasileiras pobres que não têm acesso ao auxílio administrado pela CEF.

Juros

Sendacz lembrou que só para pagamento de juros o orçamento reserva R$ 450 bilhões. O valor que supõe ser suficiente para fazer frente à crise sanitária e econômica (R$ 650 bilhões) representa apenas 10% do PIB brasileiro do ano passado, nada comparável ao dinheiro imprimido pelos EUA na crise financeira, equivalente a cerca de 100% do produto da maior economia capitalista do mundo.

“Como os EUA fizeram para enfrentar a crise em 2008?”, indagou. Em sua opinião, a resposta foi muito simples. “Mandaram imprimir dinheiro, a maquininha rodou US$ 18 trilhões, puseram o dinheiro nos bancos e os bancos saíram comprando as empresas, os ativos no mundo todo com dinheiro que eles simplesmente imprimiram e isto deu uma segurada na onda naquele período”.

Intervençao do Estado

Não foi a primeira vez que as classes dominantes estadunidenses recorreram à forte intervenção do Estado para contornar os efeitos de crises econômicos, em contradição com o neoliberalismo que aconselham ou impõem aos países mais pobres. Na Grande Depressão iniciada em 1929 gastos e investimentos públicos foram ampliados para amenizar o desemprego, a jornada de trabalho foi reduzida e em 1930 os EUA decretaram a moratória de todas as dívidas privadas.  

O dirigente do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central observou que a orientação do Palácio do Planalto, com Bolsonaro na Presidência e Paulo Guedes no Ministério da Economia, vai na contramão das necessidades do país e de muitos exemplos no exterior.

“O governo federal está sentado em cima do dinheiro e não está entregando”, afirmou. “Atrasou a liberação da renda emergencial, não fez nada ainda para salvar micros, pequenas e médias empresas e mesmo o projeto de socorro aos estados ficou 15 dias aguardando sanção presidencial”.

O Banco Central colocou R$ 1,2 trilhão à disposição dos bancos e dos banqueiros, mas este dinheiro não é disponibilizado para satisfazer as necessidades de crédito das micro, pequenas e médias empresas.

Depressão

Ele observou que a situação do país já era crítica e piorou consideravelmente sob a pandemia, exigindo ousadia do Estado no enfrentamento da crise. “Nós aqui tivemos três anos de recessão [2014, 2015 e 2016] e três anos de estagnação [2017, 2018 e 2019] e este ano devemos entrar em depressão: 41% das indústrias paralisaram a produção durante a pandemia. Não é sem risco para os trabalhadores o retorno à normalidade”, alertou.

O sindicalista também destacou o fato de que a China, depois de controlar a pandemia, deve ser o primeiro país a sair da crise econômica, o que vai se recuperar mais rapidamente. Em sua opinião, isto ocorre principalmente porque  lá quem comanda a economia é o Estado, a iniciativa privada tem um papel relevante, mas secundário.

Numa palestra a dirigentes sindicais da CTB realizada no dia 10 de junho Iso Sendacz também fez um breve histórico do desenvolvimento do dinheiro como equivalente universal da mercadoria até a hegemonia do dólar, que ainda hoje desempenha o papel de moeda mundial, e as crises financeiras da atualidade.

Veja a íntegra no youtube.

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