Paulo Guedes é um puxa saco dos EUA, afirma presidente da CPI da covid

O palpite infeliz de Paulo Guedes sobre a China está rendendo. O presidente da CPI da covid (que também já foi batizada de CPI do Genocídio), senador Omar Oziz, reagiu de forma ríspida e cáustica ao rentista neoliberal.

Disse que o fracassado ministro da Economia de Bolsonaro, dando uma de cientista, ao contestar a eficácia da Coronavac se revelou “um puxa saco dos EUA” que, por outro lado, “não foi capaz de comprar uma vacina”.

“Se nós temos vacina isto se deve à China”, asseverou o parlamentar amazonense em entrevista ao GloboNews.

Em seu desastroso colóquio durante reunião do Conselho de Saúde Complementar na terça-feira (27), o ministro de Bolsonaro disse que “o chinês inventou o vírus” (covid-19), ecoando um Fake News refutado pelos cientistas, e disse que vacinas produzidas pelas multinacionais farmacêuticas dos EUA são mais eficazes do que as que tiveram origem em laboratórios da China.

Ideal reacionário

Foi um palpite infeliz, guiado pela ideologia anticomunista e o fundamentalismo neoliberal que insiste em depreciar empresas estatais e públicas e glorificar o mercado e iniciativa capitalista privada, traduzindo o ideal reacionário do Estado mínimo, cada vez mais na contramão da história.

Pegou tão mal que Guedes veio a público, notoriamente constrangido, tentar dar o dito por não dito e conferir outro sentido às próprias palavras. Pediu desculpas à China e disse que foi vacinado com a Coronavac. Chorou sobre o leite derramado.

O vídeo do falastrão palestrando com ar professoral na reunião já tinha sido capturado pelas redes e mereceu uma alusão cirúrgica do embaixador da China no Brasil.

“Até o momento, a China é o principal fornecedor das vacinas e os insumos ao Brasil, que respondem por 95% do total recebido pelo Brasil. A Coronavac representa 84% das vacinas aplicadas no Brasil”, escreveu o diplomata.  escreveu Yang Wanming no Twitter.

Dirigido pelo Partido Comunista, o que exacerba o ódio dos bolsonaristas, o país asiático é, de longe e desde 2009, o maior parceiro comercial do Brasil (com um volume de negócios bilateral significativamente maior que Brasil/EUA) e também uma importante fonte de financiamento externo da economia nacional.

Além disto, o país depende da China para o fornecimento de insumos e vacinas contra a covid-19, enquanto nem uma só dose das vacinas produzidas nos Estados Unidos foi aplicada por aqui.

Agredir a China para puxar o saco de Tio Sam não condiz com os interesses nacionais e faz mal à saúde pública. Isto também se aplica à divergência com a Índia (da qual depende a Fiocruz para a produção da AstraZeneca). Comportamentos deste tipo ajudam a explicar o atraso da vacinação no Brasil e, no contexto da pandemia, contribuem para a mortandade, ou o genocídio, em curso.

Umberto Martins

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