Ipespe: alta da inflação assusta Bolsonaro

Por Altamiro Borges

A pesquisa Ipespe divulgada na sexta-feira (11) não trouxe nada de novo sobre a corrida presidencial. Os bolsonaristas até fizeram onda com a pequena melhora do “capetão” na disputa com Lula – de dois pontos, na margem de erro. No fundo, porém, o comando do Palácio do Planalto deve ter ficado bem preocupado com o resultado da sondagem.

A nova pesquisa apontou que 72% da população acredita que os preços dos produtos continuarão subindo nos próximos meses. Na sondagem anterior, 63% apostavam nessa péssima hipótese. Os que acreditam que a inflação subirá muito foi de 21% para 27% em um mês. Tirando as fake news e encenações, esses números causam pesadelos em Jair Bolsonaro.

E eles poderiam ser ainda piores. A sondagem do Ipespe foi feita antes da Petrobras anunciar o novo aumento nos preços da gasolina (18,7%), do diesel (24,9%) e do gás de cozinha (16%) nas distribuidoras. No mesmo dia da pesquisa, o IBGE divulgou que o IPCA, o índice oficial da inflação, subiu 10,54% nos últimos 12 meses – um recorde nos últimos anos.

Dois assuntos tiram o sono do presidente

Como observa o jornalista Leonardo Sakamoto no site UOL, “a inflação corrói o poder de compra dos trabalhadores, que já estão amargando uma queda de 11% em sua renda média, e reduz o impacto dos R$ 400 pagos do Auxílio Brasil – a recauchutagem bolsonarista do Bolsa Família”. Essa tormenta deverá se refletir nas próximas pesquisas.

“A pesquisa Ipespe trouxe boas e más notícias para o presidente Bolsonaro. Se por um lado continuam melhorando, lentamente, suas intenções de voto, reduzindo a vantagem do ex-presidente Lula e mantendo a terceira via estagnada, por outro vê a população pessimista quanto à alta da inflação”. Nada está definido para a batalha de outubro próximo.

No mesmo rumo e agregando um elemento político, o escritor Cesar Calejon afirma que “atualmente, há dois assuntos que tiram o sono do presidente Jair Bolsonaro no que diz respeito à sua busca pela reeleição: o preço dos combustíveis e a união entre Lula e Alckmin”.

“Com a estabilização da pandemia, Bolsonaro apostava em uma retomada econômica rápida que fosse capaz de lhe oferecer a reconquista de parte do capital político perdido ao longo dos últimos anos, bem como também torcia para que Alckmin e Lula jamais se acertassem. Ao que tudo indica, os piores temores do presidente da República vêm se consolidando e os ventos incertos da política parecem não soprar a favor do bolsonarismo nesse momento”. A conferir!

Charge: Miguel Paiva

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