Decisão do Banco do Brasil coloca em risco vida de bancários, alerta sindicalista

A direção do Banco do Brasil decidiu convocar para trabalho presencial a partir do próximo dia 27 bancários que coabitam com pessoas incluídas no grupo de risco da pandemia do coronavírus e que hoje estão em trabalho remoto. A decisão, que coloca em risco a vida dos funcionários da instituição, assim como de clientes e familiares, foi duramente criticada pelo representante da CTB no Sindicato dos Bancários de Brasília, Rafael Guimarães Campos Oliveira.

“O entendimento majoritário da categoria é de que isto é criminoso”, afirmou. A situação preocupa trabalhadores e trabalhadoras do banco particularmente no Distrito Federal, onde há grandes unidades com concentração de bancários.

“A notícia vem no momento em que o Brasil já tem mais de 80 mil mortos e os leitos hospitalares estão escasseando. O banco não precisa disto, continua dando lucros e tem condições de manter e ampliar o teletrabalho, não se pode esquecer que o governo Bolsonaro destinou mais de R$ 1 trilhão aos bancos, eles estão com dinheiro. É maldade, é um projeto de eugenia”, acusou o sindicalista.

Oliveira admitiu que há divergências no interior da categoria sobre o problema. “Uma parte, pressionada a gastar férias e abonos, quer voltar pelo desespero de não perder dinheiro, está amedrontada e a direção do banco tira proveito disto, mas no geral prevalece a razão de que em primeiro lugar é preciso preservar a saúde e a vida. Metas são secundárias num momento emergencial como esse”. Ele informou que “não houve sequer negociação clara por parte do Banco com o sindicato”.

Líderes da categoria também estão reclamando esclarecimentos do banco acerca do seguinte:

1) as motivações da medida;

2) Apresentar as medidas sanitárias preventivas propostas pela instituição, quando à adequação dos espaços físicos, protocolos de segurança, posicionamento do SESMT;

3) Informe detalhado das negociações havidas junto às entidades sindicais e o seu resultado;

4) Como o BB lidará com os casos de contaminação na sua força de trabalho decorrentes dessa decisão;

5) Justificativa da reversão de uma situação instituída de home office para o retorno ao trabalho e a relação dessa decisão com a situação epidêmica em cada estado.

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