Crise se agrava, Ibovespa desaba 10,1% e governo Bolsonaro deixa o Brasil à deriva

O pânico voltou a dominar os mercados de capitais nesta quarta-feira (11). O Ibovespa opera em forte queda desde a abertura do pregão, em sintonia fina com os mercados americanos. O movimento se intensificou após a Organização Mundial da Saúde declarar o coronavírus como pandemia.

Às 15h14, o Ibovespa parou as atividades aos 82.887 pontos, depois de cair 10,11%. Foi a segunda vez em apenas três dias que os negócios foram interrompidos, no chamado Circuit Breaker. Em Nova York, Dow Jones desabava mais de 5% e S&P 500 e Nasdaq perdiam mais de 4%. Em sentido contrário, o dólar subia 1,74%, cotado a R$ 4,7256.

O nervosismo nos mercados de capitais é sintoma de uma doença mais profunda que perturba o funcionamento da ordem capitalista internacional. Sinaliza a aproximação de uma nova crise cíclica nos Estados Unidos, cuja economia (a maior do mundo capitalista) descreve uma trajetória de recuperação e crescimento desde 2009.

Política fiscal

A economia brasileira já vem sendo duramente impactada, como sugerem o comportamento da bolsa e do câmbio. Mas o governo Bolsonaro aparenta não se preocupar com a deterioração do cenário econômico no mundo e no Brasil.

Por aqui já se desenha um novo pibinho para este ano, consolidando a estagnação econômica e seus corolários, como o desemprego em massa, o arrocho dos salários e a crescente informalidade. Isto se a conjuntura não piorar e trazer a recessão a tiracolo.

O ministro Paulo Guedes continua entoando o cantochão neoliberal de que a solução está no aprofundamento das reformas, que impõem cotas extras de sacrifícios à classe trabalhadora e aos mais pobres e, ao invés de amenizar, contribuem para agravar a crise, dilapidando o mercado interno.

A economia reclama medidas anticíclicas urgentes, mas o caminho nesta direção foi interditado pela Emenda Constitucional 95, que impôs o congelamento dos gastos públicos por 20 anos e reduziu os investimentos governamentais a quase zero.

Sem uma mudança radical na política fiscal, de forma a viabilizar uma forte expansão dos gastos e investimentos do Estado, o Brasil continuará condenado à estagnação e sob o risco de ser empurrado para uma nova recessão. A salvação não virá pelas mãos da iniciativa privada, ao contrário do que imaginam os fundamentalistas neoliberais.  

Umberto Martins

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