Com um tímido avanço de 0,4% no 2º trimestre, PIB fica no patamar de 2012

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,4% no 2º trimestre, na comparação com os 3 primeiros meses do ano, segundo divulgou nesta quinta-feira (29) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em valores correntes, o PIB no segundo trimestre de 2019 totalizou R$ 1,780 trilhão.

O resultado positivo foi puxado pela indústria (0,7%) e serviços (0,3%). A agropecuária caiu 0,4%. Com isto, foi contornada a possibilidade de uma recessão técnica, que se caracteriza por dois semestres consecutivos de declínio. Mas o valor da produção equivale ao registrado em 2012, ou seja, contam-se sete anos perdidos.

A taxa de investimento, ou Formação Bruta de Capital Fixo (conforme o IBGE), avançou 3,2%, correspondendo a 15,9% do PIB, e o consumo das famílias 0,3%. O consumo do governo recuou 1%, comportamento que pode ser atribuído à política fiscal recessiva. A recuperação dos investimentos refletiu em parte do desempenho da construção civil (alta de 1,9%).

Consumo

“Mais uma vez, vemos o consumo das famílias influenciando a demanda, além de ter puxado o aumento do comércio varejista. Já o comércio por atacado cresceu graças às indústrias de transformação, principalmente a metalurgia e produção de máquinas e equipamentos. Junto com a importação, a produção doméstica de bens de capital e a construção explicam a aceleração da Formação Bruta de Capital Fixo”, disse Claudia Dionísio.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia. O IBGE revisou a queda do primeiro trimestre de 2019. Ao invés da queda de 0,2%, o recuo foi de 0,1%. Também foram revisados os resultados de trimestres anteriores, revelando que o país também registrou retração no 2º trimestre de 2018.

Na comparação com igual período de 2018, o PIB subiu 1% no 2º trimestre, ante avanço de 0,5% nos 3 primeiros meses do ano. O ritmo de recuperação, entretanto, segue abaixo do registrado no final de 2018.

“Não dá para afirmar que há recuperação, precisamos de um período maior de análise”, afirmou a gerente de contas trimestrais do IBGE, Claudia Dionísio, ao ser questionada por jornalistas se o resultado indica uma retomada.

No acumulado no 1º semestre, a alta do PIB é de 0,7% frente a igual período de 2018, o que representa uma desaceleração em relação à expansão de 1,2% no semestre encerrado em dezembro de 2018.

Sete anos de atraso

“A demanda doméstica é que está segurando esse resultado de 1% de crescimento do PIB na comparação com o mesmo trimestre do ano passado, já que as importações tiveram alta de 4,7% ante um crescimento de 1,8% das exportações”, avaliou Dionísio.

Com o resultado, a economia do país ainda permanece em patamar igual ao do segundo trimestre de 2012, e 4,8% abaixo do ponto mais alto, alcançado no 1º trimestre de 2014, segundo o IBGE. Com sete anos de atraso é mais do que provável que o Brasil tenha mais uma década perdida para o desenvolvimento nacional.

O país ainda amarga os efeitos da última recessão, entre 2015 e 2016, quando foram registrados oito trimestres consecutivos de recuo do PIB, com taxas de crescimento fracas nos anos seguintes.

Segundo a gerente de contas nacionais do IBGE, com a retomada lenta, a economia recuperou até o momento apenas 3,7% das perdas registradas durante a recessão até o 4º trimestre de 2016.

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