Câmara Federal pode votar hoje projeto de privatização dos Correios, funesto para o povo e os trabalhadores

A Câmera Federal iniciou nesta quinta-feira (5) a análise do Projeto de Lei 591 que autoriza a privatização do Correios. O bolsonarista Arthur Lira (PP-AL) pretende colocar a proposta em votação ainda hoje.

A entrega deste valioso patrimônio público aos grandes capitalistas é mais um projeto do governo Bolsonaro funesto para o povo e que tem um único objetivo: satisfazer o apetite insaciável da grande burguesia nacional e estrangeiro por lucros. Os argumentos levantados pelos entreguistas são falsos. Note-se que a empresa é lucrativa.

Os Correios são eficientes e lucrativos. Nos últimos 20 anos, repassaram 73% dos resultados positivos acumulados ao seu único acionista, o governo federal. Para críticos da privatização, os números reforçam que vender a empresa é um erro, enquanto alguns especialistas afirmam que os rendimentos da estatal não são o principal fator a ser levado em consideração.

Entre 2001 e 2020, foram 16 anos de lucro e quatro de prejuízo. No total, a empresa acumula resultado líquido positivo de R$ 12,4 bilhões em valores atualizados pelo IPCA, e repassou R$ 9 bilhões em dividendos nesse período. A União recebeu dividendos dos Correios por 12 anos seguidos, de 2002 a 2013, conforme observou o jornalista Filipe Andretta na Uol.

O único e real interesse de Bolsonaro é favorecer interesses privados, transferindo o lucro que antes era apropriado pelo Estado nacional para o bolso dos capitalistas. A privatização significa na verdade renúncia de uma receita fiscal em contraste com as pregações fiscalistas da dupla Guedes/Bolsonaro. O povo vai pagar a conta, com a provável elevação de tarifas, demissão de funcionários e redução do alcance dos serviços, que deixarão de ser fornecidos aos municípios mais pobres da federação.

Os trabalhadores e trabalhadoras da estatal estão mobilizados e empenhados na luta contra a privatização, uma luta que é também da CTB e outras centrais sindicais, do conjunto do movimento sindical e das forças democráticas e populares.

Leia abaixo a petição contra a privatização

Os Correios são responsáveis pela integração nacional, unindo os 5570 municípios brasileiros através de cartas e encomendas. Emprega mais de 100 mil funcionários diretos, responsáveis pelo atendimento, triagem,
separação, entrega e coleta de mais de meio bilhão de objetos ao mês. Para se ter uma idéia, os carteiros percorrem cerca de 671 mil km a pé, de bicicleta e de moto, todos os dias. O equivalente a 17 voltas ao redor
da terra.

Mas, o que isso seria diferente se os Correios fossem uma empresa privada? É importante lembrar que, diferente do setor público, que tem compromisso com a população, o setor privado somente opera onde existe lucro. E, no caso dos Correios, somente 340 municípios grandes e desenvolvidos são economicamente vantajosos para o mercado. Os outros 5.230, que não dão lucro, correriam risco de não serem atendidos.

Apesar dessas diferenças entre regiões, os Correios apresentam lucro em seu faturamento, não dependendo nem um centavo do valor retido nos impostos dos contribuintes. Além disso, os Correios no Brasil são
reconhecidos pela qualidade no atendimento à população.

Os carteiros, que percorrem as ruas diariamente recolhendo e entregando cartas e encomendas, são profissionais respeitados pelo povo brasileiro. A garantia do sigilo e a ética profissional dos Correios o colocam entre as Empresas mais confiáveis no Brasil.

Um dado importante para comprovar que sua privatização representa um risco para a soberania do país, em 80% do mundo os Correios são estatais. Nem os Estados Unidos privatizaram seus Correios, por entender que
somente o Governo tem compromisso com a população a ponto de garantir o sigilo necessário às cartas postadas e recebidas.

Privatização é sinônimo de demissão. Os Correios hoje empregam 104 mil Trabalhadores Diretos, e outros 300 mil indiretos. A venda da estatal colocará em risco a vida desses Trabalhadores e seus familiares, que não
terão estabilidade ou garantias. As duas Federações (FENTECT e FINDECT) e os Sindicato filiados estão agindo para impedir que esse cenário se concretize.

Subscreva o Abaixo-Assinado contra a privatização

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