Bolsonaro quer privatizar 100% dos Correios

O secretário especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados do Ministério da Economia, Diogo Mac Cord, informou na manhã desta terça-feira (6) que o governo Bolsonaro pretende privatizar 100% do capital da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT).

A intenção é vender o controle da companhia integralmente por meio de um leilão tradicional e para um único comprador. O projeto entreguista (PL 591) será submetido à apreciação e aprovação do Congresso Nacional.

O presidente da Câmara Federal, Arthur Lira, disse que vai encaminhar a votação da proposta entre a segunda quinzena de julho até meados de agosto, recuando de posição anterior que previa uma tramitação mais rápida e a votação final no dia 17 de julho.

Falso argumento

A justificativa enviada pelo presidente à Câmara deprecia a eficiência e capacidade de atualização da empresa, sugerindo que “os esforços empreendidos não têm sido suficientes para que a empresa se atualize na velocidade requerida”. O governo afirma ainda que a União não tem capacidade fiscal para fazer investimentos na empresa.

São argumentos falsos. Durante a pandemia, em 2020, os Correios obtiveram uma receita internacional recorde de R$ 1,2 bilhão. A verdade é que por trás da iniciativa movem-se interesses empresariais poderosos, sobretudo de grandes capitalistas estrangeiros.

Para os trabalhadores e o povo a entrega dos Correios a empresários privados só trará prejuízo. Precarização, uberização, demissões e redução de salários e direitos são os efeitos previsíveis para os funcionários. A sociedade vai arcar com o aumento das tarifas e o fechamento de agências, principalmente nos municípios mais distantes e carentes.

“Temos de ampliar a luta e a denúncia da privatização, que é perniciosa para os trabalhadores e atenta contra os interesses e a soberania nacional. Trata-se de uma empresa estratégica, que deve continuar pública. A privatização é mais um crime contra o patrimônio do povo e não devemos medir esforços na luta para que não seja consumado”, salientou o presidente da CTB, Adilson Araújo.

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