Bolsonaro afugenta investimentos da União Europeia e prejudica economia nacional

Além de corromper o meio ambiente e destruir a reputação do Brasil no exterior, as políticas e declarações desastrosas de Jair Bolsonaro estão acarretando notórios prejuízos econômicos do país, numa conjuntura crítica, marcada pela estagnação da economia e desemprego em massa. Desprezar investimentos vindos de fora neste momento é um contrassenso (ou seria pura insanidade?).

Nesta quinta (15), o ministro do Clima e Meio Ambiente da Noruega, Ola Elvestuen, anunciou a suspensão dos repasses de 300 milhões de coroas norueguesas, o equivalente a R$ 133 milhões, que seriam destinados ao Fundo Amazônia.

A informação foi dada pelo jornal norueguês “Dagens Næringsliv”, que lembra que o país nórdico colabora há dez anos em iniciativas para conter o desmatamento na Amazônia. Desde a criação do Fundo, a Noruega doou 8,3 bilhões de coroas norueguesas, ou cerca de R$ 3,69 bilhões, para a iniciativa — o equivalente a 95% dos recursos obtidos até agora. O volume dos repasses varia de acordo com a área desmatada.

Acordo rompido

A suspensão do repasse é uma represália às mudanças na formação do Comitê Orientador do Fundo Amazônia. “O Brasil rompeu o acordo com a Noruega e a Alemanha desde que o país fechou a diretoria do Fundo Amazônia e o Comitê Técnico. Eles não podem fazer isso sem acordo com a Noruega e a Alemanha”, ressaltou Elvestuen.

O ministro considera que os números do desmatamento apontam que a política ambiental brasileira está indo agora na direção errada. “Houve um aumento significativo em julho em relação ao visto no início passado, há motivos para preocupação. O que o Brasil fez mostra que ele não quer mais conter o desmatamento — pontua. — Um motivo extra para preocupação com o aumento do desmatamento na Amazônia é o chamado ponto de inflexão. Isso significa que, se você cortar muito da floresta, o resto será capaz de se autodestruir, porque o sistema depende da chuva gerada”.

A Alemanha também cancelou o desembolso de US$ 155 milhões também orientados à proteção da Amazônia. A política ambiental do governo da extrema direita levantou fortes críticas nos ambientalistas e foi condenada por cinco ex-ministros do Meio Ambiente que se reuniram recentemente em São Paulo para avaliar a crise do setor causada pelos atuais ocupantes do Palácio do Planalto.

Ironia da história

Os prejuízos não ficam restritos à Amazônia. O fazendeiro Blairo Maggi, ex-ministro da Agricultura, afirmou que se o capitão reformado continuar vomitando asneiras contra o meio ambiente levará o agronegócio brasileiro à estaca zero. Acrescentou que o discurso “agressivo” do governo Jair Bolsonaro na área ambiental tem combustível suficiente para cancelar o acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia, anunciado em 28 de junho.

A ironia nesta história reside no fato de que os grandes proprietários de terra desta país, que no Congresso Nacional são representados pela bancada ruralista, estiveram na linha de frente da campanha presidencial do líder da extrema direita. Bolsonaro foi eleito com as benções e os favores das classes dominantes brasileiras, que também estiveram por trás do golpe de Estado de 2016 e da prisão do ex-presidente Lula.

Umberto Martins

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