Bolsas desabam e crise avança no Brasil e no mundo; dólar fecha acima de R$ 5

O pânico tornou-se o “novo normal” nos mercados de capitais nesse tempo de crise, insanidade e coronavírus. Foi quem, mais uma vez, abriu a semana com quedas dramáticas no valor das ações e prejuízos bilionários para empresas e investidores.

Percebendo a deterioração da economia e tentando conter os ânimos, o Federal Reserve (banco central dos EUA) anunciou no domingo, 15, a redução das taxas básicas de juros para 0% a 0,25% e desembolso de US$ 700 bilhões na aquisição de pepéis do Tesouro e títulos imobiliários. O tiro acabou saindo pela culatra, pois os investidores interpretaram a medida como um prenúncio de recessão e a bolsa abriu tombando mais de 7%, o que acionou o chamado circuit breaker (interrupção temporária das negociações).

Dólar acima de R$ 5

O pessimismo aumentou com a informação proveniente de Pequim dando conta de que, pela primeira vez em 30 anos, a produção da indústria chinesa fechou o primeiro bimestre do ano em queda. No Brasil, o Ibovespa viveu um novo dia consumido pelo pânico. Começou a manhã em depressão.

Às 10h24, em resposta a uma queda de 12,53%, as transações foram interrompidas por 30 minutos. Foram retomadas, mas o pessimismo não não foi debelado. O Ibovespa encerrou a segunda com queda de quase 14%.

Em contraste, o dólar comercial disparava, tendo ultrapassado a emblemática barreira dos 5 reais, fechando o dia com alta de 5,16%, cotado a R$ 5,0612, em novo recorde.

Recessão à vista

Embora não seja possível antecipar o que vem pela frente é generalizada a sensação de que a febre que abala o mercado é sintoma de uma recessão que está a caminho da economia mundial. O nervosismo dos mercados reflete a percepção de que a situação vai piorar.

Até mesmo o presidente Donald Trump, em pronunciamento nesta segunda (16) sobre coronavírus, sugeriu a economia estadunidense está a caminho de uma recessão e a pandemia que se alastra por lá e pelo resto mundo pode acelerar os passos neste sentido.

A economia brasileira já sofre as consequências e crescem os riscos de uma nova recessão. A falta de rumos e medidas anticíclicas concretas do governo, associada à irresponsabilidade do chefe do Palácio do Planalto, deixam o cenário ainda mais sombrio.

A pandemia do coronavírus não é a única causa da crise. No Brasil, a Emenda Constitucional 95, que congelou por 20 anos os investimentos públicos, condena a economia à perpétua mediocridade e é o principal obstáculo ao crescimento. Sua revogação, acompanhada da ampliação dos investimentos com foco no fortalecimento do SUS, é a primeira condição para viabilizar uma real recuperação da economia.

Umberto Martins

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