Bancos lucram praticando agiotagem no cartão de crédito com taxa de juros a 445,7% ao ano

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As altas taxas de juros são um problema central para os brasileiros e brasileiras hoje. Um problema que não se resume à política monetária do Banco Central, a Selic, agora a 13,25% ao ano. 

A ganância irrefreável dos banqueiros no afã de maximizar lucros contribui para agravar o drama nacional, produzindo absurdos como uma taxa média de juros no cartão de crédito em 445,7% ao ano em julho, conforme informações do Banco Central, divulgadas nesta segunda-feira (28).

Registrou-se um crescimento de 8,7% em relação a junho. É uma taxa digna dos mais perversos agiotas, mas uma fonte preciosa de lucro para os bancos. 

Lucros robustos

Os juros do rotativo do cartão de crédito representam uma parcela significativa do lucro dos bancos, considerando que essa é a modalidade mais cara do mercado e que o volume de operações é elevado. 

Segundo o Banco Central, o saldo das operações com cartão de crédito rotativo chegou a R$ 76 bilhões em julho de 2023, com uma taxa média de 445,7% ao ano, o que indica lucros robustos ao longo do ano.

São empresas que desfrutam de privilégios exorbitantes. Qualquer que seja a fase do ciclo econômico, na prosperidade ou na recessão, a experiência ensina que o lucro estará sempre em alta no sistema financeiro.

O lucro líquido dos bancos subiu 1,6% em 2022 e somou R$ 139 bilhões. Em 2021, as instituições financeiras tinham lucrado R$ 136,8 bilhões.

Juros compostos

Se de um lado, produz a alegria geral dos banqueiros, de outro os juros altos são uma tormenta para os que não conseguem liquidar 100% da fatura do cartão de crédito todo santo mês e se tornam vítimas do círculo vicioso dos juros compostos, consumindo parte crescente do salário ou da renda com o pagamento dos serviços da dívida.

Do ponto de vista social, isto aumenta a desigualdade social transferindo renda das famílias endividadas para os ricos banqueiros. Do ponto de vista econômico, os juros altos prejudicam o comércio e a produção na medida em que desviam recursos que seriam destinados ao consumo para compor o lucro dos banqueiros. 

Por essas razões, os juros do rotativo do cartão de crédito estão na mira do governo e do Congresso, que pretendem reduzir as taxas dessa modalidade ou extingui-la para aliviar o endividamento das famílias e estimular o consumo.

Não há explicação econômica plausível para tamanha agiotagem. É o resultado arbitrário da ganância insaciável da banca privada, que só pode ser remediada e restringida, defesa dos interesses maiores da sociedade, pela intervenção do Estado.

Umberto Martins

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