A superexploração da força de trabalho é a razão da mágica das esfirras baratas no Habib’s

O milagre das esfirras baratas da marca Habib’s têm uma explicação: a superexploração da sua força de trabalho, que não tem acesso a direitos trabalhistas e é lesada inclusive com a mesquinha retenção das gorjetas

A crueldade com os trabalhadores e trabalhadoras é relatada em ação que tramita desde o último dia 5 na 2ª Vara Empresarial do Fórum Central Cível de São Paulo. Nela, o empresário Marcelo de Souza, 50 anos, que foi franqueado da marca nos últimos três, pede uma indenização de R$ 1,990 milhão por descumprimento de contrato por parte de três empresas que operam a marca Habib’s.

O escândalo foi noticiado pelo site Uol. Durante a investigação foi revelado que as lojas já pagavam menos do que o piso dos profissionais de restaurantes (entre R$ 1.230 e R$ 1.279 nas diferentes cidades da Grande SP) antes da pandemia do novo coronavírus, que permitiu diminuição salarial.

A maior “mágica” dos preços baixos do Habib’s advém do desrespeito à legislação trabalhista. Lojas com o mesmo número de funcionários apresentam diferenças salariais de até 71,4%, apesar de estarem sob as mesmas esferas sindicais. A ação aponta que essa diferença ocorre pois as lojas que têm participação dos donos da marca Habib’s pagam salários baixíssimos, sonegam horas extras e não registram todos os funcionários.

“Não me pagaram hora extra nem adicional. Tinha horário pra entrar, mas não pra sair”, conta Paulo Mendes Silva, cozinheiro da rede Habib’s a mais de 15 anos que também recorre a justiça contra a empresa.

Além de reter a maioria das gorjetas, o Habib’s usa o dinheiro como “motivacional” para os funcionários, como uma forma de compensar quem trabalha e produz mais, principalmente os “colunas”, como são chamados os chefes. Tal situação demonstra a realidade dos empregos precários que os trabalhadores são condicionados nesse sistema de exploração, não apenas em redes de fast-food mas em diversos outros setores da economia brasileira. O barateamento do produto, muitas vezes vindo da maior exploração dos trabalhadores, é oque sustenta o lucro do patrão e sustenta esse sistema de opressão e exploração da classe operária.

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