A leviandade de um ministro

Até algum tempo atrás, Paulo Guedes vivia de operações no mercado financeiro. Algumas delas envolveram, inclusive, os fundos de pensão de estatais, como o POSTALIS. Segundo a imprensa, parece que salvou empresas fadadas à falência usando o capital investido pelos fundos de pensão e, de quebra, ainda embolsou comissões muito além das usuais. O Ministério Público Federal já apura o caso e quem sabe mais à frente nos revele a verdade dessas histórias.

Assim, quando este senhor utiliza informações falsas para tentar manchar a reputação dos Correios e, por conseguinte, de seus empregados, nos faz pensar que pode ser desinformação ou maldade. Como, porém, todos sabemos da inteligência desse senhor, sobra a segunda opção. E fica a pergunta: qual o interesse em desmerecer um ativo que, segundo ele mesmo, “já tem uns oito interessados em comprar” (apesar de que os estudos apenas começaram, segundo anúncio do próprio governo).

Uma eventual venda de uma estatal do porte dos Correios movimentará assessorias e intermediações. Os lobistas atuarão a pleno vapor (se já existem oito interessados, já devem estar atuando). Depreciar o ativo faz o seu valor despencar. Dessa forma, quem comprar lucrará alguns bilhões já na compra.Comandar um negócio desses pode ser, então, um ótimo negócio para alguns, independentemente do que vai ocorrer com os verdadeiros donos da estatal – o povo.

Mas, parece que essas consequências não são importantes para o senhor Paulo Guedes e seu séquito, que repetem à exaustão que os Correios precisam ser vendidos. Repetem que os Correios foram o “berço do mensalão” quando, na verdade, o berço estava na esplanada, segundo a imprensa. Falam, também, que não há mais cartas. Não importa que há mais de 20 anos as correspondências que transitam nos Correios sejam quase que totalmente comerciais. Não importa que os Correios tenham entregue no ano passado mais de 6.000.000.000 de cartas.

As declarações do ministro estarão em todas as matérias da imprensa no dia seguinte, como se tudo fosse verdade, mas são, em realidade, talvez propositalmente falsas, pois um homem com a capacidade intelectual dele não se enganaria dessa maneira.

Como cidadão, sinto imensa vergonha de termos no Brasil pessoas assim no comando da nação. Como ex-empregado dos Correios, onde passei quase minha vida profissional inteira, sinto uma imensa indignação, porque a leviandade do ministro ataca uma instituição digna, que merece todo o respeito, especialmente de uma autoridade pública. Como brasileiro, espero que o Congresso Nacional saiba avaliar bem a intenção de privatização dos Correios e evite que uma nação inteira seja prejudicada porque “há uns oito que querem comprar” e certamente alguns outros que querem vender e, talvez, ganhar com isso.

Os Correios e seus trabalhadores merecem respeito!

Marcos César Alves Silva, aposentado dos Correios

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