Show Caravanas de Chico Buarque está disponível no YouTube; assista

Por Marcos Aurélio Ruy. Foto: Leo Aversa

Para compartilhar arte e cultura, sem sair de casa, a gravadora Biscoito Fino disponibiliza o espetáculo Caravanas ao Vivo, de Chico Buarque. Uma oportunidade singular para quem não teve como assistir a esse show durante a sua temporada. Agora você pode assistir ao show completo, mesmo em quarentena.

Aprecie Caravanas ao Vivo sem nenhuma moderação

Lançado em 2017, Caravanas é o 38º álbum de um dos maiores representantes da cultura brasileira de todos os tempos.

A música “As Caravanas”, que dá nome ao disco, retrata com ironia a hipocrisia e o conservadorismo da sociedade brasileira. “E essa zoeira dentro da prisão/Crioulos empilhados no porão/De caravelas no alto mar…/Tem que bater, tem que matar, engrossa a gritaria/Filha do medo, a raiva é mãe da covardia/Ou doido sou eu que escuto vozes/Não há gente tão insana”, dizem versos da inovadora canção, porque “a culpa deve ser do sol”.

Desde 1991, quando lançou o romance Estorvo, o cantor, compositor e escritor carioca, que é do Brasil e do mundo, vem alterando seus lançamentos entre um livro e um álbum, num espaço de três a cinco anos entre um e outro.

Você também pode assistir em outras plataformas disponíveis pelo link https://orcd.co/caravanasaovivo

A temporada de Caravanas percorreu dez cidades brasileiras e Lisboa e Porto, de Portugal, em 2018, alternando as canções inéditas e grandes sucessos de Chico Buarque, atingindo um público superior a 200 mil pessoas.

Além da música que dá título ao disco, outras oito canções destacam o talento do autor. “Na Cantiga”, em parceria com Cristóvão Bastos, causou polêmica ao acusarem sua poesia de ser machista. Mas essa não é a primeira vez que esse tipo de coisa acontece com Chico Buarque.

“Mulheres de Atenas”, de 1976, parceria com o teatrólogo Augusto Boal (1931-2009), foi acusada de machista pelos versos “mirem-se no exemplo das mulheres de Atenas”. Uma linguagem usada justamente para denunciar o machismo que dominava e ainda domina a sociedade brasileira, como a dizer façam ao contrário disso.

Já “Geni e o Zepelim”, de 1979, obrigou o artista a desistir de cantá-la em público por muitos anos em protesto à reação do público que agredia mulheres de topless nas praias cantando os versos da canção: “Joga pedra na Geni/Joga pedra na Geni/Ela é feita pra apanhar/Ela é boa de cuspir/Ela dá pra qualquer um/Maldita Geni”. Quando a música deseja justamente o oposto. Mas o tempo deu cabo dessa ignorância e hoje “Geni e o Zepelim” é um dos hinos dos LGBTs brasileiros.

Acesse o canal de YouTube da Biscoito Fino e assista vários espetáculos pelo link https://www.youtube.com/user/biscoitofino

Caravanas tem ainda parceria com seu neto Chico Brown em “Massarandupió” e participação especial de sua neta Clara Buarque, em “Dueto”, a única faixa não inédita desse álbum. Além das nove músicas do álbum Caravanas, estão no show clássicos como “Partido Alto”, “Iolanda”, “Todo Sentimento”, “As Vitrines”, “Retrato em Branco e Preto”, “Sabiá” e “A Volta do Malandro”, que pode ser a própria volta de Chico Buarque, que estava fora dos palcos desde 2012, retornando praticamente seis anos depois.

A Biscoito Fino disponibiliza também vários outros espetáculos em seu canal do YouTube, como o show de Maria Bethânia e Zeca Pagodinho, de Gal Costa, Elza Soares, Sérgio Ricardo e vários outros, vale a pena conferir a todos esses espetáculos.

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