Seminário “A Exceção e a Regra” discute permanências da ditadura na vida nacional

Organizado pela Kiwi Companhia de Teatro, o seminário “A Exceção e a Regra”, que ocorrerá neste domingo (15), abordará a herança da ditadura civil-militar brasileira – definida por Edson Teles e Vladimir Safatle, autores de “O que resta da ditadura”, como um passado com “incrível capacidade de não passar”.

O seminário – cujo título foi retirado de uma peça do dramaturgo alemão Bertolt Brecht escrita no período anterior à ascensão de Hitler ao poder – pretende reunir um conjunto de reflexões sobre o conceito de Estado de exceção e debater as permanências da ditadura na vida nacional.

“Diferente de outros países que passaram por regimes autoritários e de exceção, ou por graves crises sociais e políticas (África do Sul, Ruanda e Chade, por exemplo), e da totalidade dos países do Cone Sul (Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai), o Brasil ainda não foi capaz de identificar e punir aqueles que cometeram crimes considerados imprescritíveis pelos organismos judiciais internacionais (sequestros, torturas, estupros, assassinatos e desaparecimentos políticos)”, afirmam os organizadores do evento, em texto de suporte ao projeto.

As tentativas de apuração dos crimes, por outro lado, esbarram na “resistência de setores conservadores que disputam a interpretação sobre os fatos da ditadura civil-militar (1964-1985), ou que negam os direitos inalienáveis de memória, verdade e justiça”, completa o documento.

A presença da ditadura civil-militar no Brasil de hoje – seja no ordenamento jurídico, na estrutura e na ação políticas, na violência praticada pelo Estado, na criminalização dos movimentos sociais, ou nas mentalidades – permeará as discussões, articuladas em quatro momentos.

1ºDebate: O jornalista e editor especial da revista Caros Amigos, José Arbex Jr., o filósofo Paulo Arantes e o professor de filosofia política da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Edson Teles – autor da coletânea de ensaios “O que resta da Ditadura” – debatem sobre Estado de Transição e Justiça de Transição.

2º Debate: Angela Mendes de Almeida, pesquisadora do Observatório das Violências Policiais CEHAL-PUC/SP – e companheira de Luiz Eduardo Merlino, jornalista assassinado pela repressão em 1971 – e Amelinha Teles, ativista dos direitos humanos e dirigente da União de Mulheres de São Paulo, discutem a Violação de Direitos Humanos e Criminalização dos Movimentos Sociais.

3º Debate:Teatro em Tempos de Ditadura, terá participação de Dulce Muniz, militante política, atriz do Teatro de Arena e fundadora do Teatro Studio 184, César Vieira, advogado de presos políticos durante a ditadura e fundador do Teatro União e Olho Vivo, e Thiago Vasconcelos, diretor da Cia. Antropofágica, que, nos últimos quatro anos, tem recontado a história do Brasil a partir das relações de poder.

O seminário termina com a apresentação de uma cena da peça “A Exceção e a Regra”, em montagem da Companhia Estável.

O seminário “A Exceção e a Regra” é parte de um conjunto de atividades que serão desempenhadas pela Kiwi até junho de 2013. O projeto “Morro Como um País” inclui uma nova montagem teatral, seminários, a publicação de um caderno de estudos, intervenções de rua, debates, um evento multiartístico e a manutenção em repertório do trabalho cênico Carne, e pretende abordar este conjunto de questões, abrindo perspectivas de compreensão e fortalecendo um campo crítico.

Serviço:

Seminário “A Exceção e a Regra”, da Kiwi Companhia de Teatro

Quando: 15 de julho (domingo)

Programação:

Estado de Exceção e Justiça de Transição – das 10h às 13h

Violação de Direitos Humanos e Criminalização dos Movimentos Sociais – das 14h30 às 16h30

Teatro em Tempos de Ditadura – das 17h às 19h

A Exceção e a Regra – das 19h30 às 20h30

Local: Teatro Ivo60 – rua Teodoro Baima, 78 – República – São Paulo

 

Entrada gratuita

Fonte: Brasil de Fato

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