Filme islandês fala sobre a importância de respirar neste mundo sombrio

Por Marcos Aurélio Ruy

“Inspire, Expire” (2018), da diretora islandesa Isold Uggadottir, parece profetizar o grito de socorro de George Floyd: “Não consigo respirar”, sob os joelhos criminosos de um policial a serviço do sistema.

A produção da Netflix, de maneira impressionante, consegue mostrar a frieza dos relacionamentos humanos no país europeu que pensamos distante da crise, do desemprego e da intolerância com refugiados e o sentimento de estar refugiada no próprio país com suas instituições rígidas, opressoras e machistas.

Quando o caminho de duas mulheres se cruzam em meio à dureza enfrentada por ambas em dar uma vida boa aos filhos, sem a presença dos progenitores, a realidade vem à tona.

Uma foge da violência e da perseguição a outra batalha para ter trabalho e como sustentar a si e ao filho. Uma tenta sair da Islândia rumo ao Canadá para ficar com a filha que conseguiu abrigo como refugiada, mas a mãe não. Fica claro a pouca importância que o sistema dá à vida dos que precisam sair do sufoco e respirar com tranquilidade, sem nenhum joelho opressor.

Veja o trailer do filme

https://www.netflix.com/br/title/80998427

Lara (Kristín Þóra Haraldsdóttir) que passa a morar com o filho em um carro porque foi despejada do apartamento em que vivia com o menino. Luta para manter seu emprego quando se depara com a refugiada Adja (Babetida Sadjo). Cena comum em aeroportos.

Como disse John Lennon: “A mulher é o negro do mundo”. A obra reflete o drama de ser mulher e como sair da invisibilidade e superar o mesmo drama humano de cuidar da vida de seus filhos sozinhas e superar a discriminação e a opressão. Como serem compreendidas em suas necessidades e anseios de inspirar e expirar e manterem-se vivas.

E mesmo na gélida e longínqua Islândia, essas duas mulheres se encontram no mesmo drama humano e resolvem juntas mudar as coisas, desrespeitando o sistema castrador de sonhos e de vidas, onde os ricos só desejam distância dos pobres.

“Inspire, Expire” remete à necessidade de união de quem vive de vender a sua força de trabalho para a construção de outro mundo, onde as relações humanas possam se dar com respeito, compreensão e solidariedade. Afinal inspirar e expirar é o que nos mantêm vivos, na Islândia, na Guiné Bissau, nos Estados Unidos ou no Brasil.

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