Chora Bolsonaro: Paulo Freire vence o Carnaval de São Paulo

Por Marcos Aurélio Ruy

Contra o bolsonarismo, a escola de samba Águia de Ouro venceu o Carnaval de São Paulo, numa disputa acirrada nas dependências do Sambódromo, no Anhembi, na capital paulista. Em seu primeiro título no grupo especial, a escola do bairro Pompeia, homenageou as educadoras e educadores brasileiros na figura de Paulo Freire, patrono da educação brasileira.

Com o enredo “O poder do saber. Se saber é poder… quem sabe faz a hora, não espera acontecer”, a escola levou para a avenida a discussão sobre a importância da educação para o desenvolvimento de uma nação e para a melhoria de vida das pessoas que vivem do trabalho.

“No ano que antecede o centenário de Paulo Freire (1921-1997) e comemora-se os 50 anos da publicação de ‘Pedagogia do Oprimido’ reverenciar esse fundamental educador é essencial para mostrar ás pessoas a necessidade de termos um educação libertadora”, afirma Marilene Betros, secretária de Políticas Educacionais da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

Acompanhe o samba enredo campeão do Carnaval 2020 paulistano

“Pedagogia do Oprimido” é um marco no pensamento pedagógico sobre como mostrar a educação como mecanismo de transformação do mundo com o compartilhamento dos saberes para igualar as condições de vida num patamar elevado.

“O Carnaval deste ano está mostrando a vontade de viver na democracia de uma nação aviltada contra a liberdade de estudar e de pensar com autonomia”, diz Francisca Pereira da Rocha Seixas, diretora da Secretaria de Assuntos Educacionais e Culturais da Apeoesp – Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo.

Para ela, uma escola de samba da maior cidade do país homenagear os professores “quando enfrentamos intensos ataques de um governo sem compromisso com a educação pública, com o saber e muito menos com a liberdade” é essencial para mostrar ao povo a importância de escolas bem estruturadas com profissionais bem pagos para “trabalhar com mais dedicação”.

Já Isis Tavares, presidenta da CTB-AM, ressalta a importância de uma grande rede nacional de televisão ser obrigada a tratar de um tema tão essencial como a educação e ainda “sob o ponto de vista de quem defende uma educação pública inclusiva e democrática” ainda mais “nestes tempos onde prevalece a rejeição da sabedoria como uma ferramenta de dominação”.

Confira o desfile da Águia de Ouro

No carro alegórico em homenagem a Paulo Freire uma síntese de seu pensamento nas páginas de um livro com a frase “não se pode falar de educação sem amor” como não se pode educar sem o diálogo, sem o importante debate para florescer o novo conhecimento por meio da troca de saberes.

“Resta saber”, questiona Francisca, “se a Águia de Ouro levará esse importante debate para a sua comunidade e se nós levaremos essa necessária discussão aos setores da sociedade aos quais o educador Paulo Freire tanto se importou em elevar a consciência de sua força”. Fica o desafio.

A escola de samba faz um convite à ação quando menciona a canção “Pra não dizer que não falei de flores”, de Geraldo Vandré, em seu famoso verso: “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”. Vamos nessa?

Compartilhar: