Chico Buarque completa 70 anos e se mantém revolucionário

Ao pisar profissionalmente num palco pela primeira vez em 1964, Chico Buarque (mais informações pelo link www.chicobuarque.com.br) não poderia imaginar que se tornaria o que se tornou para a cultura brasileira. Muito menos quando aos 9 anos de idade escreveu num bilhete para a avó. Na época em que morava na Itália acompanhando o pai – o historiador Sérgio Buarque de Holanda -, o menino escreveu dizendo que se ele não encontrasse mais a avó por aqui ela poderia “ligar a rádio do céu” para ouvi-lo cantar.

O poeta, compositor, escritor e dramaturgo carioca completa 70 anos bem no feriado de Corpus Christi, quinta feira (19) no memso ano em que comemora 50 anos de carreira. Duas efemérides que merecem ser ressaltadas porque Chico Buarque é um dos maiores representantes da cultura brasileira de todos os tempos.

Voz constante contra o imperialismo. Manteve-se ao lado dos oprimidos denfendendo a unidade latino-americana. Denuncia as injustiças, as abitrariedades e as mazelas do capitalismo e mesmo sem ser comunista sua obra preconiza o homem novo e o mundo novo.

Grande compositor e cantor. Já tem espaço garantido na história da MPB como o nosso camisa 10 – já que estamos na segunda Copa do Mundo de Futebol no Brasil – da seleção dos craques da música popular brasileira. Justamente porque elevou a canção nacional a níveis raramente vistos em suas mais de 500 músicas, sendo o nosso compositor mais completo na ligação direta de letra e melodia. Chico Buarque produziu pérolas da MPB em parceria ou sozinho, que fica impossível citar somente algumas, sem desmerecer outras. 

Com sua dedicação à literatura, já está assegurado na lista dos grandes escritores em língua portuguesa ao lado de Machado de Assis, Graciliano Ramos, Lima Barreto, Guimarães Rosa, Fernando Pessoa, Luís de Camões, Jorge Amado, Carlos Drummond de Andrade, entre outros. Seus romances vêm numa linha crescente de qualidade e de inspiração.

Ele incorpora a alma do Brasil como poucos. Canta o sofrimento de um povo maltratado por séculos e que merece uma vida melhor com liberdade, igualdade e justiça social, sem preconceitos e dikscriminações, temas constantes em sua obra. Chico Buarque sempre esteve do lado da classe trabalhadora cantada em prosa e verso em seus trabalhos. Mas também canta o amor e o anseio desse povo quje merece ser mais feliz. Sempre com esperança no futuro de um mundo mais igual. Por isso é odiado pela crítica conservadora da velha mídia. 

Sua obra reflete a visão de mundo desse artista íntegro e defensor da cultura brasileira sem xenofobia, sem exageros. Na medida certa, mas sem esconder o orgulho de ser brasileiro e de retratar em suas obras a cara do Brasil sem retoques, mas com a cor morena deste povo  e de sua diversidade cultural para mostrar que somos um povo único e merecemos ser respeitados pelo que somos. 

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Chico Buarque começa o ano com merecidas homenagens

Não se pode contar a história da cultura brasileira sem tatuar nela o nome de Chico Buarque que completa 70 anos compondo e escrevendo com a mesma jovialidade, mantendo seu caráter revolucionário.Toda sua obra está eivada de esperança no futuro com a classe trabalhadora como propulsora da humanidade. O autor está para lançar seu quinto romance ainda neste ano. Vale conferir e homenagear este grande defensor da cultura brasileira.

Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

Músicas:

Pedro Pedreiro (1965)

Gota d’Água (1975) 

 Paratodos (1993)

 

 Querido Diário (2011) 

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Livro relata a dedicação de Wilson Furtado pela classe trabalhadora no Brasil

 

O vereador de Salvador, Everaldo Augusto, do PCdoB-BA, publicou neste ano a biografia de um importante sindicalista comunista da Bahia. Trata-se do livro Semeador de Liberdade: Wilson Furtado, Vida e Luta, que apresenta a saga desse herói nacional anônimo com há muitos pelo país afora. Essa biografia mostra porque a CTB é a maior central sindical da Bahia, pois nasceu das lutas dos trabalhadores e trabalhadoras e Wilson tem muita importância no desencadear das lutas dos trabalhadores rurais no estado.  

O sindicalista e militante comunista fundou e presidiu o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Correntina, no sertão baiano, para organizar a luta contra os desmandos dos latifundiários. Dessa forma, viu-se ameaçado de morte como muitos líderes camponeses na história brasileira. Wilson também foi dirigente destacado da Federação dos Trabalhadores na Agricultura da Bahia (Fetag-BA) e dirigente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag).

“Ele não perdia o foco da grande política, não perdia tempo com brigas menores. Nisso ele se diferenciava dos demais dirigentes sindicais rurais, mesmo os da igreja que participavam de cursos e mais cursos de formação”, reforça Claudio Bastos, presidente da Fetag-BA.

Wilson Furtado nasceu no interior de São Paulo e veio morar na capital tornando-se líder operário importante. Por isso, na época em que o PCdoB articulava a Guerrilha do Araguaia ele foi destacado para o sertão baiano para fazer levantamento topográfico da região e conhecer as pessoas do local. Como importante quadro do partido ele “foi  deslocado para os cerrados da região central do Brasil, junto com outros militantes. A tarefa principal do grupo era organizar uma base de apoio à Guerrilha do Araguaia no Oeste baiano”, explica Everaldo.